
As 10 melhores trilhas do Brasil
Montanhistas descendo a trilha da Pedra do Sino (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ)
Foto: Mateus Figueiredo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Dos Lençóis Maranhenses ao Monte Roraima, as dez trilhas que mais pagam o esforço: distância, dias, dificuldade, época, uma dica de quem fez e o guia completo de cada uma.
A trilha mais curta desta lista cabe numa manhã: de 3 a 4 horas entre caminhada e escada de ferro até o topo da Pedra do Baú. A mais longa pede 8 dias, 7 deles de caminhada, até o platô do Monte Roraima, sempre com guia pemón. Entre as duas há travessia de dunas no Maranhão, vale de casas de moradores na Bahia, volta inteira numa ilha do Rio e o terceiro ponto mais alto do Brasil. Para cada uma das dez, escrevemos um guia completo, com o roteiro, o que levar e as regras do parque, e o atalho para ele está no fim de cada item.
Como escolhemos
Três critérios, nessa ordem: paisagem que não se repete em outro lugar do país, experiência que muda a viagem (dormir na casa de um morador, acampar para ver o sol nascer de um cume, atravessar um parque inteiro a pé) e esforço que a recompensa paga. Entraram trilhas de um dia e expedições de mais de uma semana, para caber perfis diferentes. Nas três primeiras, os roteiros e os checklists são os das expedições da Saia da Zona, a agência do Franz Kenzo, do TripMundão.
Os dois primeiros lugares são as duas expedições que mais pedem e mais devolvem. Do terceiro em diante, a ordem alterna trilhas de vários dias e de um dia, e não é placar. Ficaram de fora trilhas boas sobre as quais ainda não temos guia próprio, como o Pico do Paraná e a Serra Fina.
1. Travessia dos Lençóis Maranhenses (MA)

Caminhante nas dunas, durante uma travessia de três dias pelos Grandes Lençóis (MA)
Foto: Raphael Pizzino / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Patrimônio Mundial Natural da UNESCO, tem mais de 150 mil hectares de dunas brancas com lagoas de água doce entre elas, e a travessia cruza tudo a pé, de Atins a Santo Amaro do Maranhão. São 40 km em 6 dias saindo e voltando de São Luís, uma média de 10 km por dia na areia e debaixo de sol. As noites são em redário nas casas dos moradores das comunidades que vivem nos oásis do parque, como Baixa Grande, Queimada dos Paulos e Betânia, onde a última noite tem apresentação de Bumba meu Boi. Não é preciso ter feito trilha antes, mas é preciso fôlego: o dia mais longo tem 17 km e sai antes do amanhecer, para fugir do sol. O ICMBio limita o grupo a 10 pessoas por condutor e exige reserva nos pontos de apoio, e a navegação é do condutor, porque as dunas mudam.
Dica do Franz: leve mochila de 30 a 40 L, não mais. Camiseta de manga comprida com proteção UV, chapéu com proteção na nuca e toalha de secagem rápida resolvem mais que qualquer equipamento caro.
Ficha: Maranhão · 40 km a pé · 6 dias, 5 dentro do parque · intermediária · junho a setembro
Leia tambémTravessia dos Lençóis: o roteiro de 6 dias, comunidade por comunidade, com o checklistVer o roteiro completo2. Monte Roraima (RR, com a trilha na Venezuela)

O paredão longo do tepui visto da savana, com caminhantes descansando na trilha.
Foto: Franz Kenzo / TripMundão
O Roraima é um tepui de 2.810 m na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, com paredões de cerca de 1.000 m que fazem dele uma mesa no meio da savana. A trilha inteira fica na Venezuela e sai da comunidade indígena de Paraitepuy, e o guia pemón é obrigatório pela lei venezuelana. O roteiro tem 8 dias, saindo e voltando de Boa Vista, e 90 km de caminhada, uma média de 13 km por dia: dois dias de savana e rios até o acampamento-base, a subida pela La Rampa e pelo Paso de las Lágrimas, três noites nas cavernas do topo que todo mundo chama de "hotéis" e dois dias de descida. Lá em cima ficam La Ventana, as jacuzzis naturais, o Maverick, que é o ponto mais alto, e o Punto Triple, o marco das três fronteiras. É expedição de acampamento, com mochila cargueira por vários dias, e pede alguma experiência em trilha e camping.
Dica do Franz: o saco de dormir precisa aguentar 5 °C ou menos, porque o topo esfria muito à noite. Se não tiver um, dá para alugar em Boa Vista, junto com o bastão de caminhada.
Ficha: Roraima, com a trilha na Venezuela · 90 km · 8 dias, 7 de trilha · avançada, com esforço físico difícil · novembro a março
Leia tambémMonte Roraima: o roteiro de 8 dias, a fronteira, o que levar e quando irVer o guia completo3. Vale do Pati (BA)

Trilha pelos Gerais do Vieira, entre os vales do Capão e do Pati (BA)
Foto: Paulasonnewend (Paula Sonnewend Serra) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O Pati é um vale encaixado entre paredões de arenito na Chapada Diamantina, e só se chega a pé ou no lombo de um animal. Não há pousada no caminho: dorme-se nas casas dos moradores, com café, almoço de trilha e jantar, e não há barraca para carregar. O roteiro que recomendamos tem 5 dias de trilha e 50 km, com 1.850 m de subida acumulada: entra por Guiné, desce do Mirante do Vale do Pati para a Cachoeira do Funil, sobe o Morro do Castelo, passa pelo Poço da Árvore e vê o Cachoeirão por baixo, no Poço do Coração, e por cima, no último dia. Nada é técnico, mas as subidas são fortes e os Gerais do Rio Preto não têm sombra. O parque não cobra ingresso, segundo o ICMBio.
Dica do Franz: leve, além da cargueira de 40 a 60 L, uma mochila de ataque de 10 a 20 L. No dia do Morro do Castelo e no do Cachoeirão por baixo a mochila grande fica na casa, e você sobe só com água, lanche e roupa de banho.
Ficha: Bahia · 50 km · 6 dias, 5 de trilha · moderada a difícil · maio a setembro
Leia tambémVale do Pati: os 5 dias de trilha, casa a casa, com o checklistVer o roteiro completo4. Pico dos Marins (SP)

Pico dos Marins e Marinzinho, vistos do Pico do Itaguaré
Frederico Tomas de Souza e Miranda (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons
O Marins é um bate e volta longo e pesado na Serra da Mantiqueira. A trilha sai do Refúgio Marins, a 1.540 m, e sobe cerca de 880 m até o cume, a 2.420 m, num total de 12 a 14 km ida e volta. Só a subida leva de 5 a 6 horas, por isso a saída é entre 5h e 6h da manhã. No meio do caminho fica o Elevador, um paredão de rocha que se sobe com mãos e pés. Guia não é obrigatório, mas é recomendado a quem não tem experiência em altitude e em terreno de pedra. Quem acampa perto do cume ganha o pôr e o nascer do sol, e paga com uma noite que pode ficar abaixo de zero mesmo fora do inverno.
Dica: não comece a subida depois das 6h. Quem sai tarde encara o Elevador no cansaço e desce com pouca luz.
Ficha: São Paulo · 12 a 14 km ida e volta · 1 dia, ou 2 acampando · difícil · maio a setembro
Leia tambémPico dos Marins: a subida, o acampamento e o que levarVer o guia completo5. Volta à Ilha Grande (RJ)

A baía do Aventureiro vista do alto, na Ilha Grande (RJ)
Foto: TMbux / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
A Volta à Ilha Grande é Trilha Regional oficial do programa Trilhas do Brasil, reconhecida por portaria do Ministério do Meio Ambiente em maio de 2025: 76 km em 18 trechos, em 7 dias de mata atlântica, praia e costão. Um pedaço não se faz a pé: entre o Aventureiro e a Parnaioca o trecho é de barco, porque a reserva biológica não pode ser atravessada caminhando. O chão é de raiz, barro e riacho, o sinal de celular é fraco e não há estrada para tirar ninguém da trilha. No verão o caminho escorrega; de junho a setembro o terreno fica mais firme.
Dica: combine o barco entre o Aventureiro e a Parnaioca antes de sair do Abraão. Sem ele, a volta para no meio.
Ficha: Rio de Janeiro · 76 km · 7 dias · difícil · junho a setembro
Leia tambémVolta à Ilha Grande: os 76 km trecho a trecho, com o barco e o Pico do PapagaioVer o roteiro completoPara fazer qualquer uma destas trilhas em grupo organizado, fale com a Saia da Zona, agência de expedições criada pelo Franz Kenzo, do TripMundão, que a gente recomenda de olhos fechados. Ela organiza saídas para trilhas como as desta lista. Chame a Saia da Zona no WhatsApp para ver as próximas datas.
6. Pico da Bandeira (MG/ES)

Nascer do sol no Pico da Bandeira, com um montanhista no cume (Caparaó)
Foto: KarlaFPaiva / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Com 2.892 m, o Pico da Bandeira é o terceiro ponto mais alto do Brasil, segundo o ICMBio, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, e se sobe sem técnica de montanha. São 6,9 km da Tronqueira ao cume, só de ida. Há dois jeitos de fazer. No bate e volta, a entrada é das 7h às 9h, e depois das 9h quem não está acampado não passa do Terreirão. Acampando, dá para subir de madrugada e ver o sol nascer do cume. O camping tem reserva antecipada e, desde 1º de junho de 2026, o formulário pede nome e CPF de todo o grupo.
Dica: para o nascer do sol, acampe no Terreirão e saia de lá ainda no escuro, com lanterna de cabeça e roupa de frio na mochila.
Ficha: Minas Gerais e Espírito Santo · 6,9 km só de ida · 1 dia, ou 2 com pernoite · difícil, sem técnica · maio a setembro
Leia tambémPico da Bandeira: bate e volta ou pernoite, horário de corte e o que levarVer o guia completo7. Travessia Petrópolis-Teresópolis (RJ)

A Pedra do Sino ao amanhecer, sobre o mar de nuvens (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ)
Foto: Mateus Figueiredo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A travessia clássica da Serra dos Órgãos liga o Bonfim, em Petrópolis, à sede de Teresópolis em cerca de 30 km, em 3 dias e 2 noites, com cerca de 6, 7 e 4 horas de caminhada por dia. O primeiro dia sobe de cerca de 1.100 m até 2.245 m. No segundo, o Elevador e o Cavalinho pedem corda, e o caminho passa pela Pedra do Sino, a 2.275 m, o ponto mais alto do parque. O ICMBio escreve que é necessária a presença de guia experiente, e que entre os Castelos do Açu e a Pedra do Sino ela é indispensável. O pernoite exige agendamento, que abre dois meses antes, com 100 vagas por camping, e os abrigos estão fechados no momento.
Dica: com os abrigos fechados, leve barraca que aguente vento e saco de dormir para frio abaixo de zero. O nosso guia pede saco para 0 °C a -5 °C no inverno.
Ficha: Rio de Janeiro · cerca de 30 km · 3 dias e 2 noites · alta · maio a setembro
Leia tambémPetrópolis-Teresópolis: os três dias, o agendamento e o equipamentoVer o roteiro completo8. Pedra do Baú (SP)

Via ferrata da Pedra do Baú com escalador nos degraus de ferro e vale ao fundo
Foto: Webysther Nunes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A Pedra do Baú é a trilha mais curta desta lista e a única com escada de ferro: a via ferrata histórica sobe cerca de 340 a 350 m pela rocha, em degraus cravados no granito, até o topo. São de 3 a 4 horas entre trilha e via, ou de 6 a 8 horas porta a porta. Curta não quer dizer fácil: a via é 4 de 5 no nosso guia. Cadeirinha, capacete e duas solteiras com mosquetões são obrigatórios, e o kit se aluga nas agências. A subida precisa de agendamento até as 18h do dia anterior. Guia não é obrigatório, mas a secretaria estadual de meio ambiente recomenda instrutor experiente.
Dica: faça o agendamento na véspera, antes das 18h, e reserve o kit de segurança junto. Sem os dois, você não sobe.
Ficha: São Paulo · cerca de 340 m de via ferrata · 3 a 4 horas de trilha e via · difícil (4 de 5) · abril a junho e agosto a outubro
Leia tambémPedra do Baú: a via ferrata, o equipamento obrigatório e o agendamentoVer o guia completo9. Travessia das Sete Quedas, Chapada dos Veadeiros (GO)

As Sete Quedas do Rio Preto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Foto: Edson Faria Junior / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
É a única trilha do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros com caráter de travessia: cerca de 23,5 km de cerrado num sentido só, sem voltar ao ponto de partida. Dá para fazer em 1, 2 ou 3 dias, com até duas noites em cada acampamento. Os dois têm vagas contadas, 30 por noite no Boa Sorte e 40 no Sete Quedas, e a reserva é obrigatória para pernoitar. O parque classifica a trilha como pesada. Ela só abre na seca, geralmente de junho a outubro ou novembro, com datas definidas a cada ano pela chefia do parque. O guia não é obrigatório, mas o ICMBio recomenda condutor.
Dica: combine o retorno da GO-239 antes de entrar. A travessia termina longe de onde começou, e não há transporte esperando no fim.
Ficha: Goiás · 23,5 km num sentido só · 1 a 3 dias · pesada · junho a outubro, só na seca
Leia tambémSete Quedas: os três trechos, os acampamentos e a reservaVer o roteiro completo10. Pico das Agulhas Negras (RJ/MG)

O maciço das Agulhas Negras visto do Abrigo Rebouças (Itatiaia)
Foto: Alexhubner / Wikimedia Commons (Public domain)
O ponto mais alto do Parque Nacional do Itatiaia, a 2.791 m, termina em escalaminhada: mão na rocha e corda nos trechos finais. A caminhada sai do Abrigo Rebouças, a 2.350 m, com cerca de 45 minutos até a base e cerca de 2 horas da base ao cume. O parque classifica o percurso como moderado na base e difícil nos cumes. O protocolo de visitação do ICMBio, de 2023, limita a 80 visitantes por dia, fecha a entrada para o pico às 10h e exige, por grupo, corda de no mínimo 30 m e 8 mm, cabo solteiro, dois mosquetões com trava e kit de dejetos. Guia não é obrigatório.
Dica: o equipamento é conferido na portaria. Sem a corda e os mosquetões do grupo, a entrada para o pico é negada, então confira a lista antes de sair de casa.
Ficha: Rio de Janeiro e Minas Gerais · 2.791 m · 1 dia · difícil nos cumes · maio a setembro
Leia tambémAgulhas Negras: a escalaminhada, o equipamento conferido na portaria e o horário de corteVer o guia completoAs 10 trilhas lado a lado
| Estado | Distância | Dias | Dificuldade | Melhor época | |
|---|---|---|---|---|---|
| Travessia dos Lençóis Maranhenses | MA | 40 km | 6, com 5 no parque | intermediária | junho a setembro |
| Monte Roraima | RR (trilha na Venezuela) | 90 km | 8, com 7 de trilha | avançada | novembro a março |
| Vale do Pati | BA | 50 km | 6, com 5 de trilha | moderada a difícil | maio a setembro |
| Pico dos Marins | SP | 12 a 14 km ida e volta | 1 | difícil | maio a setembro |
| Volta à Ilha Grande | RJ | 76 km | 7 | difícil | junho a setembro |
| Pico da Bandeira | MG/ES | 6,9 km só de ida | 1, ou 2 com pernoite | difícil, sem técnica | maio a setembro |
| Travessia Petrópolis-Teresópolis | RJ | cerca de 30 km | 3 | alta | maio a setembro |
| Pedra do Baú | SP | cerca de 340 m de via ferrata | 1 | difícil (4 de 5) | abril a junho e agosto a outubro |
| Travessia das Sete Quedas | GO | 23,5 km num sentido só | 1 a 3 | pesada | junho a outubro |
| Pico das Agulhas Negras | RJ/MG | sem distância oficial | 1 | difícil nos cumes | maio a setembro |
Cada guia completo traz a ficha da trilha, o roteiro, o que levar, as regras e a fonte de cada número. Comece pela que cabe nos seus dias e no seu preparo.
Regras e datas mudam. Confirme no guia de cada trilha antes de ir.
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