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Onde Comer em Bonito — Restaurantes e Pratos Típicos

Guia gastronômico de Bonito (MS): pratos típicos, restaurantes por faixa de preço, comida de rua e dicas para comer bem no destino.

Por Time TripMundão

O cheiro de pintado na brasa alcança a calçada antes de você encontrar a porta do restaurante. A fumaça carrega dendê, urucum e um toque adocicado de banana da terra que não combina com nada que você já comeu, até combinar. Em Bonito, três territórios dividem o mesmo prato: o Pantanal entrega o peixe e o jacaré, a fronteira com o Paraguai a 130 km traz a sopa paraguaia e a chipa, e o Cerrado aparece no copo, em forma de cachaça de guavira. Para uma cidade com uma única rua principal, a cena gastronômica surpreende.

Pratos típicos de Bonito

Os pratos típicos de Bonito giram em torno dos peixes de água doce (traíra, pacu, pintado e piraputanga), da carne de jacaré do Pantanal e da influência paraguaia presente no dia a dia. A traíra sem espinha frita e o pacu na brasa com alcaparras são os mais citados por viajantes, mas é a moqueca pantaneira de pintado que resume melhor o cruzamento de culturas do Mato Grosso do Sul.

A traíra é um peixe cheio de espinhas finas que, na maioria dos lugares, ninguém quer no prato. O trabalho artesanal de retirar cada espinha transforma o bicho num filé de carne branca, delicada, que chega à mesa com a pele dourada e crocante, acompanhado de arroz e farofa. É o carro-chefe da Casa do João e o prato que aparece em praticamente todo relato de quem passou por Bonito.

O pacu na brasa sem espinha é outra história. Mais gorduroso que a traíra, o pacu libera essa gordura no calor da brasa e cria uma casca caramelizada por fora, mantendo o interior úmido. No Juanita, chega temperado com alcaparras, uma combinação que no papel parece improvável, mas que segundo viajantes funciona bem: o ácido da alcaparra corta a gordura do peixe.

A moqueca pantaneira de pintado leva banana da terra, coentro, dendê e mandioca. É uma versão do clássico baiano que trocou o peixe de mar pelo pintado de rio e encontrou novos ingredientes no caminho. O caldo grosso, alaranjado pelo dendê, chega borbulhando na panela de barro. Casa do João é o endereço mais citado para esse prato.

A sopa paraguaia engana pelo nome: não é sopa, é um bolo salgado de milho verde com fubá, denso e úmido, cortado em fatias grossas. A influência vem direto da fronteira com o Paraguai, a 130 km de Bonito, e o prato aparece nos cafés da manhã das pousadas e nos almoços de fazenda inclusos nos passeios de flutuação. A chipa, primo paraguaio do pão de queijo, também aparece cedo nas padarias do centro, prática para quem sai para o passeio antes do café do hotel abrir.

A carne de jacaré é legalizada e divide opiniões: uns dizem que parece peixe, outros juram que parece frango. A textura é firme, levemente fibrosa, e o sabor é mais suave do que você espera de uma proteína exótica. Pantanal Grill, Juanita e Pastelaria Pastel Bonito servem em diferentes formatos, do prato elaborado ao pastel de lanche rápido.

Piraputanga no prato e na praça

A piraputanga é o peixe-símbolo de Bonito, homenageado com esculturas na Praça da Liberdade. Servida em diversas preparações nos restaurantes da cidade, vale pedir quando aparecer no cardápio. No Varandas, o nome do prato é "piraputanga safadinha".

Quem quer curiosidade sem compromisso pode pedir o caldinho de piranha no Pantanal Grill. Não é experiência central, mas funciona como entrada quente e salgada antes do prato principal.

Frutas do Cerrado e sobremesas

O Cerrado tem uma biodiversidade de sabores que raramente aparece em menus urbanos. Em Bonito, a guavira é a fruta que mais marca presença: aparece na cachaça artesanal DiBonito e no gin tônica da Casa do João. Os picolés Delícias do Cerrado oferecem sabores como jabuticaba, cajá-manga, bocaiuva e pequi, uma forma acessível de experimentar o bioma sem gastar com jantar.

O Chico Balançado do Juanita é a sobremesa mais citada: um creme de banana caramelada com suspiro queimado na hora, na mesa. E quem faz o passeio na Estância Mimosa volta falando do doce de leite artesanal do tacho, mexido no fogão a lenha da fazenda. Segundo viajantes, é um dos momentos mais memoráveis da viagem. Na Jaracatiá Bombons do Cerrado, lojinha no centrinho, dá pra levar o Cerrado em forma de bombom como souvenir.

Restaurantes por faixa de preço

Econômico (R$ 30 a 60 por pessoa)

Marco Velho e Espaço Jack são os self-services onde quem mora em Bonito almoça no dia a dia. Buffet livre, sem pretensão, com o peixe regional e a comida caseira aparecendo no balcão sem preço de turista. Espaço Jack divulga o cardápio pelo Instagram, o que ajuda a decidir antes de sair do hotel.

Tapera, na Rua Pilad Rebuá, serve peixes de água doce e picanha num ambiente mais simples e com conta mais leve que os restaurantes de experiência. É o tipo de lugar que resolve bem o jantar sem transformar a refeição em evento.

Churrascaria Cupim funciona com buffet e à la carte, opção prática para quem quer carne vermelha sem complicação. E a Pastelaria Pastel Bonito é lanche rápido, não refeição: o pastel de jacaré é a forma mais barata de testar a proteína regional.

Intermediário (R$ 80 a 150 por pessoa)

Pantanal Grill fica ao lado da Prefeitura e serve carne de jacaré, caldinho de piranha e tem opções vegetarianas confirmadas, algo raro em Bonito. Bacuri Cozinha Regional aposta em pratos criativos como o sashimi do Piloteiro, feito com pintado cru, acompanhado de caipirinha com cachaça DiBonito.

Varandas, na Rua Coronel Pilad Rebuá 1883, trabalha com peixe no urucum e a tal piraputanga safadinha. Aipim Restaurante tem proposta de slow food e serve pacu na folha de bananeira, valorizando ingredientes nativos. Restaurante Marruá, na Rua Joana Sorta 1173, tem o chef Sylvio Trujillo à frente e serve piraputanga defumada no angico, um preparo que usa a madeira local para dar sabor. O Marruá também faz noites pantaneiras eventuais, com danças, músicas e pratos típicos: vale acompanhar o Instagram do restaurante para datas.

Casarão é um self-service mais cuidado, com ambiente confortável para quem quer almoçar sem a la carte. Zapi Zen é a pizzaria do centro, para quem quer sair do tema peixe sem abrir mão de qualidade.

Desconfie de restaurantes colados às agências de turismo na Rua Pilad Rebuá: cobram pelo fluxo de turistas que passa pela porta, não pela qualidade do prato. Tapera, Aipim e Marruá têm proposta mais honesta e ficam a menos de cinco minutos a pé.

Experiência (R$ 150 a 300 por pessoa)

#1Casa do João

Traíra sem espinha, moqueca pantaneira, gin de guavira. Ambiente com museu de antiguidades, loja de artesanato e música ao vivo. Rua Cel. Nelson Felício dos Santos, 664. Funciona de terça a domingo, 11h-15h e 18h-23h.

Mais citadoMúsica ao vivoRegional pantaneiro

Casa do João é o restaurante mais mencionado de Bonito por uma razão concreta: a combinação de cozinha regional com o ambiente eclético (museu, artesanato, música) cria uma experiência que vai além do prato. A traíra sem espinha e a moqueca pantaneira são os pedidos mais frequentes.

#2Juanita Restaurante

Pacu na brasa com alcaparras, tiras de jacaré e Chico Balançado de sobremesa. Chef Juanita Battilani comanda a cozinha. Rua Nossa Senhora da Penha, 854.

Chef autoralFusion paraguaio-brasileiroReserva obrigatória

Juanita traz uma cozinha que mistura influência paraguaia e brasileira com toque autoral. O pacu na brasa com alcaparras é a assinatura, e o Chico Balançado, aquele creme de banana caramelada com suspiro queimado na mesa, é a sobremesa que todo mundo fotografa.

Toca do Sucuri, na Fazenda São Geraldo (a mesma do passeio de flutuação no Rio Sucuri), serve pintado ao urucum, iscas de tilápia e cocada com sorvete de doce de leite. É a opção lógica para quem combina almoço com o passeio.

Reserva antecipada na Casa do João e no Juanita é obrigatória em julho, dezembro e feriados prolongados. Faça via WhatsApp ou telefone. Sem reserva na alta temporada, a chance de conseguir mesa é próxima de zero.

O almoço que já está pago

Vários passeios de Bonito incluem almoço na fazenda: Rio da Prata, Boca da Onça, Estância Mimosa e Serra da Bodoquena servem refeição completa no fogão a lenha. Carreteiro, tilápia, sopa paraguaia, feijão carioquinha, farofa e doce de leite artesanal fazem parte do menu. Segundo viajantes, esse almoço é frequentemente o mais memorável da viagem, e já está incluído no valor do voucher. Verifique se o passeio do dia inclui almoço antes de reservar restaurante para o mesmo horário.

Valores aproximados com base em fontes de 2025-2026. Confirme antes de reservar.

Comida de rua e mercados

Bonito não tem feirão nem mercado municipal no estilo de Manaus ou Salvador. O circuito de rua é modesto, mas funciona.

À noite, trailers de lanches ocupam a Praça da Liberdade (também chamada Praça das Piraputangas, por causa das esculturas dos peixes). É o circuito informal do centrinho: hambúrguer, espetinho, crepe. Não espere gastronomia elaborada, mas o movimento é animado e os preços são os mais baixos da cidade para jantar.

A Pastelaria Pastel Bonito funciona durante o dia como parada rápida. O pastel de jacaré é a pedida óbvia e custa menos que qualquer prato em restaurante.

Padarias e mercados do centro atendem quem quer economizar montando refeições no hotel ou preparando lanche para o dia de passeio. A chipa aparece cedo nas padarias, opção prática para quem precisa sair antes do café da manhã da pousada.

A Cachaçaria DiBonito não é restaurante: é uma loja que abre ao entardecer para degustação de cachaças artesanais com frutas do Cerrado (guavira, mamica de cadela, nó-de-cachorro). Funciona como porta de entrada para os sabores do bioma sem precisar sentar para jantar. A Jaracatiá Bombons do Cerrado, também no centrinho, vende bombons de ingredientes nativos, um souvenir gastronômico que cabe na mala.

Para o que fazer à noite em Bonito, o circuito combina esses trailers da praça com bares como Taboa Bar (aberto todos os dias, 17h à meia-noite) e La Bonita (terça a domingo, música ao vivo a partir das 18h30).

Dicas para comer bem em Bonito

A maioria dos restaurantes de Bonito funciona em dois turnos: almoço das 11h às 15h e jantar a partir das 18h. Entre 15h e 18h, as opções se limitam a lanches e sorveterias. Como os passeios de flutuação costumam ocupar a manhã ou a tarde inteira, planeje a refeição principal em torno do horário livre.

Em Bonito, o sistema de voucher único obriga a reservar todos os passeios via agência, e o horário do passeio define o horário da refeição. Antes de reservar jantar na Casa do João ou no Juanita, verifique se o passeio do dia inclui almoço. Rio da Prata, Boca da Onça, Estância Mimosa e Serra da Bodoquena servem refeição completa no fogão a lenha, já inclusa no voucher. Reservar restaurante para o mesmo horário é pagar duas vezes pelo mesmo almoço. Para entender o sistema de vouchers e montar o roteiro dos passeios, veja o guia completo de Bonito.

A maioria dos restaurantes aceita cartão e PIX, mas trailers da praça e lanches rápidos podem trabalhar só com dinheiro. Leve algum valor em espécie para o circuito noturno.

Opções vegetarianas são limitadas em Bonito. O Pantanal Grill tem alternativas confirmadas, mas a maioria dos cardápios gira em torno de peixe e carne. Quem tem restrição alimentar, vale ligar antes para o restaurante.

A melhor época para visitar Bonito é de maio a setembro, quando as chuvas diminuem e os rios ficam mais cristalinos. Para aproveitar bem, o mínimo recomendado é 4 dias inteiros. Quem voa para Campo Grande faz o transfer de aproximadamente 4h30 até Bonito.

Reserva obrigatória nos dois melhores

Casa do João e Juanita não garantem mesa sem reserva em julho, dezembro e feriados. Ligue ou mande WhatsApp com antecedência. Nos demais restaurantes, a flexibilidade é maior.

Verifique horários atualizados diretamente com os estabelecimentos antes de ir.

Em Bonito, comer é aprender que o Mato Grosso do Sul é um cruzamento de biomas e culturas que a maioria do Brasil não conhece: piraputanga na praça, chipa no café da manhã, guavira no copo. Quem planeja a viagem pensando só nas flutuações pode se surpreender quando o almoço de fazenda no fogão a lenha vira a lembrança mais forte. Para montar o roteiro completo com passeios, hospedagem e custos, veja o guia completo de Bonito.

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