Guia Completo de Florianópolis: O Que Fazer, Quando Ir e Quanto Custa
Tudo o que você precisa saber para planejar sua viagem a Florianópolis: atrações, custos reais, melhor época, onde comer e dicas de quem já foi.
Florianópolis tem 42 praias catalogadas, mais de 20 trilhas mapeadas e produz 70% das ostras cultivadas do Brasil. Tudo isso numa ilha de 54km de comprimento cortada por uma única estrada principal que congela todos os verões. A maioria dos visitantes fica nas praias do norte, come em restaurante turístico e volta pra casa achando que conheceu a ilha. O guia completo de Florianópolis que você precisa é o que separa o que realmente vale do que é armadilha de temporada, e mostra onde a ilha entrega experiências que não se repetem em nenhum outro ponto do litoral brasileiro.
O que fazer em Florianópolis
As melhores experiências de Florianópolis não estão nas praias com estacionamento e guarda-sol de aluguel. Estão nas que exigem 40 minutos de caminhada, nos núcleos de pescadores que servem ostra direto do cultivo e nos mirantes que só aparecem depois de uma subida íngreme com pedra solta. Quem aceita sair da zona de conforto encontra uma ilha completamente diferente da que os panfletos vendem. O problema é que a maioria dos guias trata tudo como igualmente "imperdível". Aqui, o Tripmundão separa o que realmente vale das armadilhas de temporada. Para o guia detalhado de cada atração, veja o post completo sobre o que fazer em Florianópolis.
Trilhas e praias desertas
A Lagoinha do Leste é a praia que separa quem realmente conhece Florianópolis de quem ficou no básico. Não tem estrada, não tem barraca, não tem vendedor ambulante. O acesso é por trilha de aproximadamente 1 hora a partir do Matadeiro (subida íngreme, pedra solta, trecho exposto ao sol) ou por caminhada mais longa de cerca de 2 horas saindo do Pântano do Sul, mais plana e sombreada, melhor para quem tem problema de joelho. A praia é um arco largo de areia grossa entre dois costões rochosos, com mar aberto e zero infraestrutura. Em dia de semana fora de temporada, é comum ter o lugar para meia dúzia de pessoas. Leve no mínimo 1,5L de água, lanche, protetor solar e todo o lixo de volta. Não existe nada lá embaixo.
Perigo real: o trecho de pedra solta na subida e na descida causa entorse com frequência. Chinelo não serve. Calçado fechado com aderência é obrigatório. A volta pelo Matadeiro cansa mais que a ida porque a subida é mais longa no retorno. Se você tem problema de joelho, a trilha alternativa pelo Pântano do Sul (mais longa, mais plana) é a opção certa, mas nesse caso combine transporte no Pântano do Sul antes de sair.
Naufragados fica no extremo sul da ilha. A trilha parte do Caiacó, 40 minutos por Mata Atlântica fechada com cobertura quase total de copa. O terreno é majoritariamente plano, com subidas curtas e piso de terra batida. É a trilha mais acessível de Florianópolis, viável para crianças a partir de 8 anos que aguentem a caminhada. A praia tem um farol histórico do século XIX, areia larga e mar aberto. Na temporada, um ou dois quiosques funcionam. Fora dela, leve água e comida. Mesmo em janeiro, a trilha afasta quem não quer caminhar, e a praia fica com lotação tolerável.
A trilha do Morro da Lagoa da Conceição sobe por 45 minutos até um dos mirantes mais completos da ilha. Desnível de 280 metros positivos, sem trechos planos para descanso. Não é tecnicamente difícil, mas exige condicionamento básico. Lá de cima, dá pra ver a Lagoa da Conceição, as dunas da Joaquina, a Praia Mole, a Barra da Lagoa e, em dias limpos, a Ilha do Campeche. O visual é tão amplo que funciona melhor que qualquer foto aérea. Prefira o início da manhã (antes das 8h) ou o fim da tarde (após as 16h), porque os últimos 300 metros não têm sombra e no verão a insolação é forte.
A trilha da Costa da Lagoa é diferente de todas as outras: caminhada plana pela margem da Lagoa da Conceição, passando por comunidades ribeirinhas que só têm acesso por barco ou por esta trilha. O caminho passa por casas, restaurantes de peixe fresco e trechos de mata com acesso à água. A maioria faz o trecho até o Ponto 16 (cerca de 3km, 1 hora) e volta de barco pela lagoa (R$ 8-15 por pessoa). É a combinação mais acessível da ilha: trilha leve, almoço de peixe grelhado na beira da lagoa e barco de volta. A Costa da Lagoa é, na verdade, subestimada: a maioria dos turistas não sabe que existe, e os que sabem vão de barco direto sem fazer a trilha a pé.
Alerta honesto: Florianópolis não é destino de cachoeiras. A ilha é relativamente baixa (ponto mais alto: Morro do Ribeirão, 532 metros), os rios são curtos e o volume de água não forma quedas com altura ou volume que justifiquem uma viagem. Existem pequenas quedas em trilhas do interior, mas nenhuma vale como atração independente. Se cachoeiras são prioridade, combine com Urubici na Serra Catarinense (3 horas de carro) ou com o Vale do Itajaí (Blumenau e região, 2 a 3 horas). Para o guia técnico de cada trilha com dados de distância, desnível e dificuldade, veja o post de trilhas e cachoeiras em Florianópolis.
Praias para banho e surf
A Joaquina é a praia mais famosa da ilha por causa do surf e das dunas. As ondas são consistentes o ano todo, com as melhores ondulações entre abril e setembro quando o swell de sul entra forte. O pico principal recebe 40 a 60 surfistas nos fins de semana de outono. A boa notícia: a praia é longa e quase sempre tem um banco funcionando mais vazio 200 metros ao sul ou ao norte do pico principal. Quem caminha surfa mais. A Joaquina não tem sombra natural. O sol bate direto, o vento seca a pele sem você perceber, e a queimadura só aparece no chuveiro. Protetor fator 50 e reaplique a cada 2 horas.
A Praia Mole combina surf, cena social e quiosques que funcionam como base de operações. O mar é aberto, com ondas boas para surf e bodyboard. No verão, os quiosques viram ponto de encontro com música e movimento até o fim da tarde. O estacionamento lota cedo no verão (antes das 10h nos fins de semana). Da Praia Mole, uma trilha curta de 15 minutos pelo lado direito leva à Galheta. A Galheta é oficialmente naturista, mas metade dos visitantes vai vestida, sem problema. Enquanto a Mole lota em janeiro, a Galheta mantém espaço e silêncio. Água limpa, cenário bonito, zero infraestrutura.
O Campeche tem mais de 5km de extensão de areia fina e branca. O mar é aberto, com ondas consistentes que atraem surfistas o ano todo. A faixa de areia é tão larga que mesmo nos dias mais cheios tem espaço para esticar a canga sem vizinho colado. Conforme você caminha para o sul, a praia vai ficando mais vazia e selvagem. O trecho próximo às dunas, a 2km da entrada principal, funciona quase como praia deserta. Daqui saem os barcos para a Ilha do Campeche.
A Barra da Lagoa combina praia boa com vila de pescadores que ainda funciona como comunidade real, não cenário turístico. O canal que conecta a Lagoa da Conceição ao mar corta a vila e rende passeio de caiaque (R$ 40-80 por hora). O Projeto Tamar fica aqui, com tanques de tartarugas em reabilitação. Para quem quer praia com estrutura sem a sensação de resort artificial, a Barra da Lagoa é a melhor escolha da ilha.
As praias do norte (Canasvieiras, Jurerê, Ingleses, Daniela) têm água mais calma e quente da ilha, ideais para famílias com crianças. A água é rasa, a temperatura do mar chega a 26 graus no verão e a infraestrutura de barraca e restaurante beira-mar é completa. Daniela, mais ao oeste, é a alternativa menos conhecida e menos lotada do norte. O problema do norte: em janeiro e fevereiro, a lotação transforma essas praias em mar de guarda-sol com espaço contado. O trânsito de acesso pela SC-401 pode triplicar o tempo de viagem.
Overhyped: as dunas da Joaquina com sandboard. Fotos bonitas, mas a experiência real é descer sentado numa prancha de madeira por uma duna de 20 metros e subir carregando a prancha de volta. Diverte por 15 minutos. Se você tem pouco tempo, priorize qualquer trilha da lista acima. Também overhyped: Jurerê Internacional como programa de "conhecer Florianópolis". Beach clubs com consumação mínima de R$ 150-300, praia igual ao resto do norte e clima de ostentação em vez de experiência local. Se você quer entender Florianópolis de verdade, vá para o Ribeirão da Ilha comer ostra em vez de pagar couvert em Jurerê.
Dica ultra-específica: se você vai entre dezembro e fevereiro, evite praias do norte nos fins de semana. Vá no meio da semana, cedo, antes das 10h. Se quer praia com espaço garantido até em janeiro, escolha praias com acesso por trilha. Lagoinha do Leste (1 hora de trilha), Naufragados (40 minutos), Galheta (15 minutos a partir da Mole). A caminhada filtra naturalmente a multidão.
Para a análise completa de cada praia da ilha com tabela de infraestrutura e acesso, veja o guia das melhores praias de Florianópolis.
Ilha do Campeche
A Ilha do Campeche fica a 30 minutos de barco da Praia do Campeche ou da Armação. A água é a mais transparente da região de Florianópolis, com visibilidade para snorkel que chega a 8-10 metros em dias bons. A ilha tem inscrições rupestres, trilha curta pela mata e uma faixa de areia que lota rápido porque o IPHAN limita o número de visitantes por dia.
Alerta honesto: o barco só sai com mar calmo. Em dias de vento sul ou ondulação forte, a travessia é cancelada. Acontece com frequência em outubro e novembro, e mesmo na temporada não é garantido. Se a Ilha do Campeche é prioridade, tenha pelo menos 2 dias flexíveis no roteiro para encaixar a travessia. Custo do barco: R$ 100-180 por pessoa (ida e volta), dependendo do ponto de embarque e da temporada. Compre o ticket com antecedência na alta temporada (dezembro a março). Tempo necessário: dia inteiro (saída pela manhã, retorno à tarde). Funciona de dezembro a abril com mais regularidade.
Núcleos açorianos: Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa
Os dois núcleos açorianos mais preservados da ilha contam mais sobre Florianópolis do que qualquer praia urbana. Santo Antônio de Lisboa, no lado continental, tem ruelas de pedra, casario colonial do século XVIII, restaurantes com frutos do mar premium e o melhor pôr do sol da ilha. A vista é voltada para o oeste, de frente para o continente, e não tem obstrução. Chegue antes das 17h30 no verão para garantir lugar num restaurante com vista.
O Ribeirão da Ilha é o polo ostricultor de Florianópolis. A ilha produz mais de 70% das ostras cultivadas do Brasil, e o Ribeirão é onde elas saem da água. Os restaurantes ficam de frente para os cultivos: você vê as cordas de maricultura na baía enquanto espreme limão na concha. Ostras frescas gratinadas ou in natura saem por R$ 3-6 a unidade. Dúzia por R$ 35-60. É uma experiência gastronômica que não existe em outro lugar do país nesse preço.
Dica ultra-específica: vá ao Ribeirão da Ilha numa sexta-feira à tarde fora de temporada. Os restaurantes ficam tranquilos, os preços caem e você come olhando os cultivos na água sem pressa. No verão, espere fila de 30 a 40 minutos nos mesmos lugares. Se quiser a experiência mais crua, os produtores de ostra vendem direto ao consumidor ao longo da Rodovia Baldicero Filomeno, entre os km 15 e 18. Dúzia na mão do produtor sai por R$ 15-25. Você compra, senta no cais, abre com faca e come com limão. Sem prato, sem garçom, sem conta.
Surf em Florianópolis
A ilha tem mais de uma dúzia de picos surfíveis. A Joaquina é o mais consistente, com ondas que funcionam com praticamente qualquer swell de sul ou leste. O Campeche entrega as ondas mais longas quando o swell vem de leste, com mais de 5km de praia para espalhar o crowd. O Matadeiro guarda as melhores sessões para quem sabe procurar: protegido atrás de um costão, com metade do crowd da Joaquina nos dias em que funciona.
Para iniciantes, a Barra da Lagoa é a escolha mais segura: ondas menores, fundo uniforme de areia, sem localism e com escolas de surf por perto. Aulas individuais saem por R$ 100-180 a hora com prancha e lycra. A Praia Mole funciona para intermediários que querem combinar surf com a cena social.
O Santinho, no norte, tem ondas mais pesadas e localism forte. A comunidade local surfa ali há décadas e não recebe bem visitantes que não respeitam prioridade. Respeite a fila, observe 10 minutos antes de entrar e reme pelo lado. O Moçambique, com 12km de praia e acesso por trilha de 20-30 minutos, é o oposto: ignorado pela maioria, mas com ondas limpas e lineup vazio quando o swell de leste entra.
Pule isso: as "aulas de surf" oferecidas por ambulantes na beira da praia em Canasvieiras e Ingleses. Mar calmo demais para aprender de verdade, equipamento duvidoso e você não vai pegar onda. Se quer aprender surf em Florianópolis, vá para a Praia Mole ou Barra da Lagoa com escola estabelecida.
O outono e inverno (abril a setembro) entregam as melhores ondulações de sul. A água cai para 16 a 19 graus, long john 3/2mm é obrigatório, full suit 4/3mm em julho e agosto. No verão, swell de leste e nordeste predomina, e surfar de manhã é regra porque o vento nordeste de tarde estraga os picos da costa leste. Para o guia completo por pico, nível e tipo de onda, veja o post de surf em Florianópolis.
Passeios e atividades complementares
O passeio de caiaque no canal da Barra da Lagoa conecta a lagoa ao mar, passando por manguezal e água calma. Funciona até em dia nublado, custa R$ 40-80 por hora e é a atividade paga com melhor retorno da ilha inteira. O Projeto Tamar na Barra da Lagoa tem tanques com tartarugas em reabilitação, exposição sobre as espécies brasileiras e sessões de alimentação em horários fixos. R$ 30-40 por pessoa, 1 a 2 horas de visita. Funciona o ano todo e é boa opção para famílias e dias de chuva.
O Mercado Público de Florianópolis, no centro, funciona desde 1899. Bancas de peixe fresco, restaurantes de porção, bares e lanchonetes. O caldo de peixe com pirão é clássico: R$ 12-20. Funciona em horário comercial. Não é programa de dia inteiro, mas encaixa bem no último dia antes de ir ao aeroporto.
Overhyped: passeios de escuna pela costa norte que prometem "volta à ilha". A maioria para em 3-4 pontos, você fica 15 minutos em cada e o barco é lotado. Cobra R$ 80-150 por pessoa. Se você quer passeio de barco com retorno real, o barco para a Ilha do Campeche vale muito mais. Se quer conhecer a ilha pelo mar, alugue caiaque na Barra da Lagoa ou faça a travessia para o Campeche por conta.
Valores aproximados para temporada 2025-2026. Confirme antes de reservar.
Quando ir para Florianópolis
A melhor época para visitar Florianópolis é de dezembro a março, quando a temperatura fica entre 22 e 32 graus, a água do mar alcança 23 a 26 graus e a chuva, apesar de presente, vem em pancadas rápidas de fim de tarde que limpam e vão embora. O sol aparece por mais de 10 horas por dia e o pôr do sol só acontece depois das 19h30.
Florianópolis tem clima subtropical, o que significa inverno de verdade. De junho a agosto, a temperatura mínima cai para 10 a 14 graus, com noites que podem chegar a 6 graus em dias de frente fria. A água do mar desce para 16 a 19 graus. Geadas ocorrem no continente (Palhoça, São José) e, na ilha, a sensação térmica com vento sul chega a 3 ou 4 graus em dias de frente fria forte. Dá pra ir à praia? Em teoria. Dá pra entrar na água sem neoprene? A maioria das pessoas não aguenta mais que cinco minutos.
Dentro da janela quente, janeiro e fevereiro concentram o melhor clima, mas também a maior lotação. A população da ilha praticamente dobra: a cidade, com cerca de 500 mil habitantes, recebe mais de 1 milhão de turistas na temporada. O trânsito na SC-401 pode levar mais de uma hora no trecho que normalmente leva 20 minutos. Hospedagem sobe 80 a 150%. Apartamentos de temporada que saem por R$ 200-350 na baixa pulam para R$ 500-1.200 no Réveillon e Carnaval.
Para quem busca o melhor equilíbrio entre clima e tranquilidade, dezembro (até dia 20) e março são as janelas ideais. Em dezembro, a água já está quente, o dia já é longo, mas as férias escolares ainda não começaram. Março mantém temperatura boa, o fluxo de turistas despenca e os preços voltam a patamares razoáveis. A diferença entre ir em janeiro e ir em março pode representar 40-60% de economia total sem perder qualidade de experiência.
Alerta honesto: Florianópolis em julho é uma armadilha que muita gente cai por causa das férias escolares. A ilha é bonita o ano todo, ninguém discute. Mas se você está indo pensando em praia, banho de mar e dias de sol, julho vai decepcionar. Frentes frias passam a cada 5 a 7 dias, a temperatura pode cair de 25 para 12 graus em poucas horas, e o vento sul corta. O lado positivo: é a temporada de baleias-franca. Elas aparecem entre julho e novembro, e dá pra ver do costão da Armação ou fazer saída embarcada a partir da Praia do Rosa (Imbituba, 90km ao sul).
A chuva em Florianópolis é distribuída ao longo do ano todo, sem estação seca definida como no Nordeste. A diferença é que no verão chove em pancadas de fim de tarde que duram 30 a 60 minutos e abrem sol depois. No inverno, as frentes frias trazem chuva fina que pode durar 2 a 3 dias seguidos. A temperatura do mar varia por região da ilha: praias do norte (Canasvieiras, Jurerê, Daniela) são 2 a 3 graus mais quentes que as do leste e sul, porque são mais rasas e ficam protegidas na baía.
O Carnaval de Florianópolis não tem o porte de Salvador ou Rio, mas a ilha ganha blocos de rua espalhados pela Lagoa da Conceição e pelo centro. A praia continua sendo a atração principal. O problema: fevereiro de Carnaval combina preços de alta, trânsito de alta e lotação de alta. A Fenaostra (Festival Nacional da Ostra) costuma acontecer em outubro no Ribeirão da Ilha, com degustação e produtores locais. A temporada da tainha (maio a julho) traz pesca artesanal e gastronomia de peixe fresco nas praias do leste. Se a viagem gira em torno de comida, a baixa temporada pode ser mais interessante que janeiro.
Para a análise climática completa mês a mês, com tabela de temperatura, chuva e melhor atividade por época, veja o post sobre quando ir a Florianópolis.
Alguns valores baseados em fontes de 2023-2024. Confirme antes de reservar.
Como chegar em Florianópolis
Avião
O aeroporto Hercílio Luz (FLN) fica na parte continental de Florianópolis, a 30 minutos do centro da ilha e 40 minutos da Lagoa da Conceição fora de temporada. Na temporada, esse tempo pode dobrar por causa do trânsito na saída do aeroporto e na travessia das pontes. As principais companhias (Latam, Gol, Azul) operam voos diretos a partir de São Paulo (1h30), Rio de Janeiro (1h40), Porto Alegre (1h), Curitiba (50min) e Brasília (2h). Voos a partir de Belo Horizonte e Salvador também existem, mas com menos frequência e geralmente com escala.
Passagens aéreas variam de R$ 300 a R$ 1.500 por trecho, dependendo da origem e da antecedência. Saindo de São Paulo ou Rio, dá pra encontrar R$ 300-500 na baixa temporada com 30 dias de antecedência. Na alta, o mesmo trecho sobe para R$ 800-1.500. Reserve com antecedência: na temporada, voos lotam e preços disparam nas últimas semanas. Quem compra passagem para o Réveillon em cima da hora paga facilmente o dobro do que pagaria com 60 dias de antecedência.
Do aeroporto, a opção mais prática é alugar carro direto no desembarque. Locadoras (Localiza, Movida, Unidas) operam ali e a retirada é imediata. Aplicativos de transporte funcionam, mas a corrida até a Lagoa da Conceição fica entre R$ 50-80 e até Ingleses pode passar de R$ 100. Ônibus do aeroporto até o Terminal Central (TICEN) existe, mas o tempo de deslocamento é longo e você ainda precisa de outra condução até a hospedagem.
Dica do Tripmundão: se você vai ficar mais de 3 dias, alugue carro. É o meio de transporte mais útil em Florianópolis. A ilha tem 54km de comprimento e as praias ficam espalhadas por todas as direções. O transporte público funciona, mas limita o roteiro e triplica o tempo de deslocamento. Um dia de carro alugado na baixa temporada custa menos que duas corridas de aplicativo do aeroporto à Lagoa. Reserve o carro no site da locadora com 30-60 dias de antecedência, não no balcão do aeroporto. A diferença de preço entre reserva online e balcão chega a 50%.
Carro
De São Paulo, são aproximadamente 700km pela BR-116 até a BR-101, com pedágios que somam R$ 50-80 por trecho. Tempo real: 8 a 9 horas sem paradas longas. A estrada é duplicada e em bom estado na maior parte do trajeto. Combustível para o trecho fica em torno de R$ 400-500. De Curitiba, são 300km (3h30 a 4h pela BR-376 e BR-101). De Porto Alegre, 460km (5 a 6 horas pela BR-101). A BR-101 no trecho catarinense é boa, duplicada e com postos e serviços ao longo de todo o percurso.
Ônibus
Saindo de Curitiba (5h, R$ 100-180), Porto Alegre (7h, R$ 120-200) ou São Paulo (12h, R$ 180-350). A rodoviária Rita Maria fica no centro da ilha, com acesso ao Terminal de Integração do Centro (TICEN) e linhas de ônibus urbano para as praias principais. Funciona como opção econômica, mas a logística dentro da ilha sem carro é restrita: Centro até Ingleses leva mais de 1 hora de ônibus, e os horários são esparsos nos fins de semana.
Valores aproximados. Confirme antes de reservar.
Onde ficar em Florianópolis
Escolher a região de hospedagem em Florianópolis pesa mais no aproveitamento da viagem do que qualquer outro fator de planejamento. Ficar no norte significa 50 minutos de carro até as praias do sul. Ficar no sul significa esquecer a vida noturna da Lagoa da Conceição. Escolher a região errada transforma metade dos seus dias em deslocamento pela SC-401 no meio do trânsito de temporada.
Lagoa da Conceição (recomendação para primeira visita)
Se você nunca foi a Florianópolis e tem entre 4 e 7 dias, fique na Lagoa da Conceição. A justificativa é logística: a Lagoa fica no coração geográfico da ilha, o que significa que nenhuma praia está a mais de 30 minutos de carro (fora do horário de pico). Daqui, a Joaquina fica a 4km, a Praia Mole a 5km, o centro a 12km, o Campeche a 15km, a Armação a 20km.
A Lagoa concentra a maior variedade de serviços fora do centro: bares, restaurantes (Avenida das Rendeiras enche de gente no verão), supermercado grande (Angeloni do Parque de Coqueiros), farmácia, locadoras de carro e de bicicleta. Tem vida noturna sem precisar de carro. E tem hostels na faixa de R$ 80-120 por noite, pousadas intermediárias entre R$ 250-450, e Airbnbs inteiros a partir de R$ 150 na baixa. Na alta temporada, os preços sobem para R$ 250-700 dependendo do tipo.
O lado ruim: as praias da própria Lagoa lotam em janeiro, o trânsito na saída para o norte e sul congestiona entre 10h e 14h na temporada, e o barulho noturno da Avenida das Rendeiras pode incomodar quem quer silêncio.
Norte da ilha (Ingleses, Canasvieiras, Jurerê)
O norte concentra as praias de água mais calma e quente da ilha. Ingleses e Canasvieiras são as mais populares entre famílias com crianças e turistas argentinos. A água é rasa, morna (até 26 graus no verão), a infraestrutura de barraca e restaurante é completa.
O perfil é de quem quer praia tranquila, conveniência e não se importa de ficar longe do resto da ilha. O lado ruim: distância de tudo que não é o norte (30-40 minutos do centro, mais de 1 hora das praias do sul sem contar trânsito), praias lotadas de dezembro a fevereiro com espaço disputado guarda-sol a guarda-sol, e o trânsito pesado na SC-401 para sair da região.
Jurerê Internacional é um caso à parte. Preços de R$ 500-2.000 por noite na temporada, beach clubs com consumação mínima e público de ostentação. Se você quer praia com serviço de resort, funciona. Se quer conhecer Florianópolis de verdade, Jurerê é um enclave que podia estar em qualquer litoral do mundo.
Leste (Barra da Lagoa) e sul (Campeche, Armação)
A Barra da Lagoa é uma vila de pescadores que mantém cara de vila apesar do turismo. Fica próxima da Lagoa (10 minutos de carro), com acesso fácil à Praia Mole e à Galheta. O perfil é de quem quer clima mais tranquilo, gosta de surf e trilha, e não precisa de vida noturna agitada. Hospedagem entre R$ 150-300 na baixa e R$ 300-600 na alta.
O sul (Campeche, Armação, Pântano do Sul) é onde Florianópolis mostra sua cara mais selvagem. Daqui saem os barcos para a Ilha do Campeche, a trilha para a Lagoinha do Leste e o acesso para Naufragados. O perfil é de quem prioriza natureza e trilha acima de conveniência. Ficar no sul significa aceitar distância do centro (25-40 minutos), poucos restaurantes à noite e dependência total de carro. Hospedagem entre R$ 120-280 na baixa e R$ 250-550 na alta.
Centro
Alerta honesto: ficar no centro de Florianópolis para férias de praia é um erro comum de quem não pesquisou. Você vai gastar 30-50 minutos para chegar a qualquer praia decente, vai pegar trânsito na saída da ilha e vai voltar para um bairro comercial sem graça à noite. Só faz sentido se o orçamento for muito apertado (hostels a partir de R$ 50-90/noite) ou se você está de passagem.
Para a análise completa de cada região com prós, contras e dicas de reserva, veja o post sobre onde ficar em Florianópolis.
Hospedagem por orçamento
| Faixa de preço (baixa) | Faixa de preço (alta) | Melhor região | |
|---|---|---|---|
| Hostel/camping | R$ 60-120/noite | R$ 100-200/noite | Lagoa da Conceição, centro |
| Pousada intermediária | R$ 200-450/noite | R$ 400-900/noite | Lagoa, Barra da Lagoa, Campeche |
| Hotel/pousada premium | R$ 500-800/noite | R$ 800-2.000/noite | Jurerê Internacional, Campeche |
| Airbnb (apartamento) | R$ 150-350/noite | R$ 350-800/noite | Lagoa da Conceição, Campeche |
| Casa para grupo (4-6 pessoas) | R$ 300-600/noite | R$ 600-1.500/noite | Lagoa, Campeche, sul |
Overhyped: pousadas premium em Jurerê Internacional que cobram R$ 1.500-2.000 por noite na temporada. O preço embute a grife do bairro, não necessariamente qualidade proporcional. Por R$ 500-700 em regiões como Campeche ou Barra da Lagoa, você encontra pousadas com o mesmo nível de conforto, mais charme e menos inflação de endereço.
Antecedência faz diferença real: na alta temporada (20 de dezembro a final de fevereiro), pousadas e Airbnbs populares esgotam com 60-90 dias de antecedência. Réveillon e Carnaval exigem 3 a 4 meses. Na baixa (abril a novembro), 15-30 dias é suficiente e os preços caem. Booking e Airbnb são as plataformas mais usadas. Pousadas menores, especialmente no sul e na Barra da Lagoa, às vezes têm preço melhor por contato direto (Instagram ou WhatsApp).
Alguns valores baseados em fontes de 2024-2025. Confirme antes de reservar.
Onde comer em Florianópolis
A ostra sai do mar de manhã e chega na mesa antes do meio-dia. No Ribeirão da Ilha, os restaurantes ficam de frente para os cultivos: você vê as cordas de maricultura na água enquanto espreme limão na concha. Florianópolis produz mais de 70% das ostras do Brasil, e a maioria vem daquele trecho de 3km de estrada de chão no sul da ilha. Se você come ostra em qualquer outro lugar do país, a chance de ela ter vindo daqui é alta. A diferença é o preço e a frescura: na origem, a dúzia sai por R$ 25-40. Em São Paulo, a mesma ostra custa o triplo.
Pratos típicos da ilha
A ostra é o carro-chefe. Servida crua com limão, gratinada com queijo e ervas, ou empanada. A crua é a forma mais honesta de provar: textura macia, sabor de mar limpo, sem molho para mascarar. Se você não curte crua, a gratinada com parmesão é a versão mais acessível. A dúzia costuma vir como entrada, e a maioria das pessoas pede duas antes de seguir para o prato principal.
A sequência de camarão define a experiência gastronômica da ilha para a maioria dos visitantes. O formato: preparações servidas em etapas, começando por camarão ao alho, passando por camarão à milanesa, camarão na moranga, camarão ao molho e terminando com arroz de camarão. Cada restaurante monta sua sequência com 5 a 8 pratos. O volume é absurdo. Dois adultos raramente terminam. Custa entre R$ 90-160 para duas pessoas na faixa intermediária. Porcionas avulsas (camarão ao alho, à milanesa) saem por R$ 45-75, o que permite montar a própria "sequência" sem pagar pelo pacote completo.
O berbigão no bafo é o prato mais local e menos conhecido pelo turista. Molusco pequeno, colhido nas praias e mangues da ilha, cozido no vapor com alho, cebola e vinho branco. Sabor concentrado, salgado, textura parecida com mexilhão mas menor. Aparece nos restaurantes do Ribeirão da Ilha e da Costa de Dentro.
O peixe na folha de bananeira vem da tradição açoriana adaptada ao litoral catarinense. O peixe (geralmente tainha ou garoupa) é temperado, envolto na folha e assado. A folha sela a umidade e adiciona aroma defumado sutil. Na temporada da tainha (maio a julho), a pesca artesanal é um evento gastronômico na ilha, com multidão nas praias do leste.
Onde comer por faixa de preço
Econômico (até R$ 40 por pessoa): quilo e PF. A Lagoa da Conceição e o centro concentram restaurantes por quilo entre R$ 55-75 o quilo, rendendo prato montado por R$ 25-40. No centro, próximo ao TICEN, PFs de comida caseira ficam entre R$ 18-30. Nos bairros de praia, os preços sobem 30-40%. A Barra da Lagoa e o Campeche têm opções mais em conta que o norte. Regra mais útil de Florianópolis: ande duas quadras para dentro da orla e o preço cai sem perder qualidade.
Intermediário (R$ 40-100): onde Florianópolis brilha. Restaurantes de frutos do mar com prato feito na hora, porcionas generosas de camarão e peixe fresco entre R$ 50-90 por pessoa. Santo Antônio de Lisboa e o Ribeirão da Ilha concentram a maior oferta nessa faixa, com foco em cozinha açoriana. Na Lagoa, a Avenida das Rendeiras tem restaurantes de porção e frutos do mar com mesas na calçada e música ao vivo na temporada.
Experiência (R$ 100+): Jurerê Internacional para beach clubs e gastronomia com vista (pratos R$ 80-180, conta com bebida passa de R$ 200 por pessoa). Santo Antônio de Lisboa para frutos do mar premium com ostras especiais e pôr do sol sobre a baía (R$ 120-200 por pessoa com vinho). O ambiente em Santo Antônio é mais quieto que Jurerê, com mesas de frente para a baía.
Overhyped: sequência de camarão em restaurantes de beira de estrada que cobram R$ 200+ para duas pessoas e servem camarão congelado reaquecido. O preço alto não garante camarão fresco. Priorize restaurantes no Ribeirão da Ilha ou em Santo Antônio de Lisboa, onde o insumo vem direto do mar. Pergunte se o camarão é fresco ou congelado. Se o garçom hesitar, você já tem a resposta.
Mercado Público e comida de rua
O Mercado Público de Florianópolis funciona desde 1899. Bancas de peixe fresco, restaurantes de porção, bares de cachaça e lanchonetes. O caldo de peixe com pirão é clássico: R$ 12-20. Horário comercial (segunda a sexta até as 19h, sábado até as 14h). Nos fins de semana, fica vazio.
As feiras livres itinerantes trazem produtos locais. A mais conhecida é a feira da Lagoa da Conceição (quartas e sábados pela manhã), com barraquinhas de pastel, tapioca e frutas. Na temporada, barracas de praia em Canasvieiras, Jurerê e Ingleses vendem porcionas de camarão frito por R$ 20-35. A qualidade varia. Prefira barracas com movimento, onde a fritura gira rápido.
Dica ultra-específica: os produtores de ostra no Ribeirão da Ilha ficam ao longo da Rodovia Baldicero Filomeno, entre os km 15 e 18. Procure placas de "ostras frescas" na beira da estrada. A maioria abre de terça a domingo, das 9h às 17h. Leve faca de ostra e limão no carro. Se não tiver faca, os produtores abrem para você sem custo.
Para vegetarianos, as opções melhoraram nos últimos anos na Lagoa da Conceição. Mas Florianópolis continua sendo uma cidade de frutos do mar. No Ribeirão e em Santo Antônio de Lisboa, as opções vegetarianas se limitam a saladas e acompanhamentos.
Para o guia gastronômico completo com mais restaurantes e horários, veja o post sobre onde comer em Florianópolis.
Valores aproximados para 2025-2026. Confirme antes de reservar.
Quanto custa uma viagem para Florianópolis
Uma viagem de 5 dias para Florianópolis custa entre R$ 1.800 e R$ 6.500 por pessoa, dependendo do perfil e da época do ano. A diferença entre alta e baixa temporada é brutal: a mesma pousada na Lagoa da Conceição que sai por R$ 280 em outubro pode cobrar R$ 700 no Réveillon. E não é só hospedagem. Carro alugado, restaurante, estacionamento na praia, açaí na barraca, tudo sobe junto. Quem vai em março gasta quase metade do que gastaria em janeiro, com clima praticamente igual.
Custo por perfil (5 dias/4 noites, por pessoa, sem aéreo)
| Econômico | Intermediário | Conforto | |
|---|---|---|---|
| Hospedagem/noite | R$ 60-120 | R$ 200-450 | R$ 500-1.200 |
| Alimentação/dia | R$ 50-80 | R$ 100-180 | R$ 200-400 |
| Transporte local/dia | R$ 15-30 | R$ 80-120 | R$ 120-200 |
| Passeios/dia | R$ 0-30 | R$ 50-100 | R$ 100-250 |
| Total diário | R$ 250-350 | R$ 500-750 | R$ 1.000-1.500 |
| Total 5 dias | R$ 1.250-1.750 | R$ 2.500-3.750 | R$ 5.000-7.500 |
O perfil econômico funciona para quem topa hostel, cozinhar no Airbnb, se locomover de ônibus e fazer trilhas gratuitas. O intermediário é o mais comum entre casais e grupos: pousada confortável, carro alugado, restaurante no almoço e jantar. O conforto inclui pousada ou hotel premium, restaurantes de frutos do mar com vista e passeios embarcados.
Atividades gratuitas vs. pagas
A maioria das melhores experiências de Florianópolis não custa nada. Trilhas, praias, mirantes, dunas e núcleos históricos são gratuitos. Os gastos com passeios dependem do quanto você quer de estrutura e transporte.
Gratuito: Lagoinha do Leste (trilha), Naufragados (trilha), Galheta (trilha de 15 minutos), mirante do Gravatá, Costa da Lagoa (trilha), Morro da Cruz, núcleos históricos de Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, pôr do sol na Beira-Mar Norte, dunas da Joaquina.
Pago: Ilha do Campeche (R$ 100-180 barco ida e volta), caiaque na Barra da Lagoa (R$ 40-80/hora), Projeto Tamar (R$ 30-40), sandboard na Joaquina (R$ 30-50), mergulho com cilindro (R$ 250-400), aula de surf (R$ 100-180/hora), passeio de escuna pelo norte (R$ 80-150).
Custos que pegam desprevenido
Estacionamento em praias na temporada: guardadores cobram R$ 20-50 dependendo da praia. Joaquina e Jurerê são as mais caras. Fora de temporada, a maioria é gratuita. Carro alugado na alta: R$ 200-350/dia contra R$ 120-200 na baixa. Combustível na ilha fica R$ 0,20-0,40 acima da média nacional.
Preço diferenciado por região: o mesmo açaí que custa R$ 12 no centro sai por R$ 25-35 nas praias do norte. Água de coco na praia: R$ 8-15 dependendo do ponto. Cadeira e guarda-sol de aluguel nas praias do norte: R$ 30-60 o conjunto por dia. Protetor solar na ilha custa 30-50% mais que no supermercado da sua cidade. Esses markups somam rápido ao longo de 5 dias.
Como economizar
A maior economia possível em Florianópolis não é dica de restaurante ou app de desconto. É a data da viagem. A diferença entre ir em janeiro e ir em março pode representar 40-60% de economia total sem perder qualidade de experiência. Março tem água quente, sol e praias vazias.
Mais dicas práticas: fique na Lagoa da Conceição em vez de Jurerê (hospedagem 30-40% mais barata). Alugue carro com 30-60 dias de antecedência no site da locadora, não no balcão do aeroporto (diferença de até 50%). Compre café da manhã e lanches de praia no supermercado (Angeloni do Parque de Coqueiros na Lagoa é o mais prático). Uma sacola térmica com frutas, sanduíches e água para o dia na praia economiza R$ 40-60 por pessoa por dia. Prefira praias com acesso por trilha, que não têm preço de barraca. Evite restaurantes de frente pra praia no almoço e caminhe duas quadras para dentro. Use ônibus para trajetos simples (centro-Lagoa) e reserve o carro para dias de praia no sul.
Para o orçamento detalhado com cada categoria e mais dicas, veja o post completo sobre custos em Florianópolis.
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Roteiro sugerido: 5 dias em Florianópolis
A lógica é agrupar atrações por região da ilha para evitar zig-zag pela SC-401. Base na Lagoa da Conceição. Custo total estimado sem hospedagem e sem aéreo: R$ 800-1.500 por pessoa.
Dia 1 (costa leste): Café na Lagoa da Conceição, sair cedo. Praia Mole até as 10h30 (chegar antes das 9h para garantir vaga). Trilha de 15 minutos para a Galheta, ficar até o meio-dia. Almoço na Barra da Lagoa (peixe fresco, R$ 40-70). Caiaque no canal da Barra à tarde (R$ 40-80/hora). Projeto Tamar se sobrar energia (R$ 30-40, 1 hora). Jantar na Lagoa, Avenida das Rendeiras (R$ 50-120 por pessoa). Custo do dia: R$ 120-220.
Dia 2 (sul e trilha): Saída às 7h para o Matadeiro. Trilha da Lagoinha do Leste (1 hora de subida, manhã inteira na praia deserta). Leve 2L de água, lanche, protetor, calçado com aderência. Volta pela mesma trilha. Almoço simples na Armação ou Campeche (R$ 25-45). Praia do Campeche à tarde para relaxar depois da trilha. Custo do dia: R$ 60-120.
Dia 3 (Ilha do Campeche + ostras): Chegar antes das 8h no ponto de embarque na Armação ou Campeche. Barco para a Ilha do Campeche pela manhã (R$ 100-180, dia inteiro, snorkel na água mais transparente da região). Volta à tarde, seguir para o Ribeirão da Ilha (20 minutos). Ostras frescas direto do cultivo (dúzia por R$ 35-60). Se der tempo, pôr do sol no Ribeirão. Custo do dia: R$ 200-350.
Dia 4 (norte + cultura): Praias do norte pela manhã (Canasvieiras ou Daniela para água calma). Almoço em Santo Antônio de Lisboa (frutos do mar, R$ 60-120 por pessoa). Caminhar pela vila à tarde (ruelas de pedra, casario colonial, igreja). Ficar para o pôr do sol, o melhor de Florianópolis, voltado para o continente. Custo do dia: R$ 100-200.
Dia 5 (mirante + centro): Trilha do Gravatá pela manhã (40 minutos de subida a partir da Praia Mole, vista panorâmica da costa leste). Mergulho rápido na Praia Mole na volta. Almoço no Mercado Público no centro (R$ 20-50). Caminhar pela Praça XV, Catedral e arredores (1-2 horas). Retorno ao aeroporto (25 minutos do centro). Custo do dia: R$ 50-100.
Se o barco para o Campeche cancelar por causa do mar, puxe o dia 4 (norte) para o dia 3 e empurre a Ilha do Campeche para o dia seguinte. Sempre tenha esse dia como flexível.
Para o roteiro detalhado hora a hora com variações por perfil (aventureiro, família, econômico) e plano B para chuva, veja o roteiro de 5 dias em Florianópolis. Se você tem apenas um fim de semana, o roteiro de 48 horas resolve o essencial sem desperdiçar tempo no trânsito.
Dicas práticas para Florianópolis
Transporte dentro da ilha
Carro alugado é praticamente obrigatório em Florianópolis. A ilha tem 54km de comprimento e as praias ficam espalhadas por todos os lados. Depender de ônibus funciona, mas limita muito o roteiro e triplica o tempo de deslocamento. Carro compacto sai por R$ 120-200/dia na baixa temporada e R$ 200-350 na alta. Reserve no site da locadora com 30-60 dias e retire no aeroporto. Combustível na ilha fica R$ 0,20-0,40 acima da média nacional.
Ônibus urbano custa R$ 5-6 por trecho. O sistema cobre as principais praias, mas os horários são esparsos nos fins de semana e o tempo de deslocamento é longo. Centro até Ingleses leva mais de 1 hora.
Aplicativos de transporte (Uber, 99) funcionam bem na área central e Lagoa da Conceição. Para praias do sul (Armação, Pântano do Sul, Naufragados), a cobertura é irregular. Uma corrida centro-Joaquina fica entre R$ 35-55. O custo de 4-5 corridas por dia ultrapassa rapidamente o valor da diária do carro alugado.
Dica ultra-específica: se você vai ficar na Lagoa e quer visitar praias do leste (Joaquina, Praia Mole, Galheta), alugue bicicleta por dia (R$ 40-60). A distância entre a Lagoa e a Joaquina é de 4km pela estrada, sem subida forte. Você economiza estacionamento (R$ 20-40 na Joaquina em temporada), evita o trânsito do acesso e resolve o problema de vaga.
Trânsito na SC-401: o maior inimigo do roteiro. A estrada conecta norte a sul da ilha e tem opções de rota limitadas pela geografia. Na temporada, saia antes das 9h30 para qualquer deslocamento norte-sul e evite voltar entre 17h e 19h. O trecho centro-Ingleses que leva 25 minutos fora de temporada pode levar 1h30 em janeiro.
O que levar na mala
No verão (dezembro a março): protetor solar fator 50 (compre antes de viajar, na ilha custa 30-50% mais). O sol catarinense queima tanto quanto o nordestino, mas o vento nordeste engana: você não sente a pele ardendo até voltar pro chuveiro. Chapéu é obrigatório para praias sem sombra (Joaquina, Lagoinha do Leste, Campeche). Calçado fechado com aderência para trilhas (chinelo é receita para entorse na Lagoinha do Leste). Sacola térmica para praia. Repelente (Mata Atlântica = mosquito).
No inverno (junho a agosto): vista-se em camadas. A manhã pode começar com 8 graus e terminar com 22 se o sol aparecer. Corta-vento é obrigatório, especialmente para caminhar nos costões ou fazer a trilha da Lagoinha do Leste, que é exposta ao vento sul. Roupa de neoprene se você surfa: long john 3/2mm no mínimo, full suit 4/3mm em julho e agosto.
O ano todo: mochila de ataque para trilhas com água, lanche e saco de lixo (nenhuma trilha de Florianópolis tem lixeira). Roupa de banho extra (seca devagar no inverno). Capa de chuva compacta (chuvas de verão chegam sem aviso). Mapa offline baixado (Maps.me ou Google Maps offline), porque Naufragados e Lagoinha do Leste não têm sinal de celular.
Dinheiro e pagamento
A maioria dos estabelecimentos em Florianópolis aceita cartão de crédito, débito e PIX. Ter dinheiro em espécie ainda é útil para: estacionamento informal nas praias, barqueiros na Armação para a Ilha do Campeche, vendedores ambulantes e pequenos comércios nas vilas de pescadores como Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha.
Caixas eletrônicos (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú) estão disponíveis no centro, na Lagoa da Conceição e nos shoppings. Nas praias mais afastadas, o acesso a caixas é limitado. Leve dinheiro trocado para o dia se o roteiro incluir praias do sul ou feiras.
Segurança e saúde
Florianópolis é uma cidade segura para turismo em geral. Os riscos reais são naturais, não urbanos. Praias isoladas (Lagoinha do Leste, Naufragados, Solidão) não têm salva-vidas fora da temporada. Correntes de retorno são o perigo principal nas praias do leste e sul em dias de swell forte. Na Joaquina e no Santinho, a corrente puxa forte acima de 1,5 metro de onda. Na Barra da Lagoa, a boca do canal cria corrente lateral. Se você está sendo puxado, não lute contra. Reme (ou nade) paralelo à praia até sair da corrente.
Fauna: a Mata Atlântica da ilha tem cobras (jararaca e coral). Mantenha-se na trilha demarcada, não coloque a mão em buracos ou sob pedras, e use calçado fechado. Encontros são raros, mas acontecem. Ouriços-do-mar aparecem nas praias com fundo de pedra, especialmente no Matadeiro e nos costões da Joaquina.
O hospital mais próximo do sul da ilha é o Hospital Regional de São José (40 minutos de carro). A UPA do Sul fica na Armação, com estrutura mais limitada. Se você pratica surf, trilha ou mergulho, considere seguro viagem com cobertura esportiva (R$ 8-15/dia).
O clima de Florianópolis muda rápido. Manhã de sol não garante tarde sem chuva, especialmente de outubro a março. Chuva forte em trilha de pedra solta (Lagoinha do Leste, Morro da Lagoa) aumenta o risco de queda. Se o tempo fechar, considere interromper e voltar.
O que não fazer em Florianópolis
Não vá para praias do norte nos fins de semana de janeiro achando que vai ter espaço. Não estacione no acostamento da SC-401 (multa e guincho). Não compre protetor solar na ilha (pague 30-50% a mais sem necessidade). Não fique esperando o mar abrir para a Ilha do Campeche se o vento sul estiver forte, tenha plano B. Não fique no centro achando que é prático para férias de praia. Não beba água dos riachos da ilha sem tratamento. Não faça trilha de chinelo. Não subestime o sol catarinense: o vento nordeste sopra constante nas praias do leste e você não sente a pele ardendo até voltar pro chuveiro.
Não contrate passeio de escuna pelo norte achando que vai ser uma "volta à ilha". O barco para em 3-4 pontos, você fica 15 minutos em cada, e o que você vê, chegaria mais rápido de carro. Se quer barco, vá para a Ilha do Campeche. Não vá a Florianópolis em julho esperando férias de praia. O mar está gelado, as frentes frias passam a cada semana e a conta de hospedagem não fica menor porque é férias escolar. Se você tem que viajar em julho, existem destinos no Nordeste com praia garantida. Florianópolis no inverno só faz sentido se você surfa (as ondulações de sul são as melhores) ou se quer ver baleias-franca na costa.
Dica sobre acessibilidade: Florianópolis não é um destino fácil para pessoas com mobilidade reduzida. A maioria das praias tem acesso por escadas, areia fofa ou trilha. As praias do norte (Canasvieiras, Ingleses, Jurerê) têm infraestrutura mais acessível, com estacionamento próximo, calçadão e barracas na areia. A Lagoa da Conceição tem trechos de calçada adaptada, mas o acesso às praias do leste e sul é limitado. O Projeto Tamar na Barra da Lagoa tem acessibilidade parcial.
Verifique horários e disponibilidade nos sites oficiais.
Conclusão
Florianópolis entrega mais quando você sai do roteiro obrigatório. As praias com acesso por trilha são as mais bonitas da ilha. Os núcleos açorianos contam mais sobre o lugar do que qualquer beach club. As ostras direto do produtor no Ribeirão da Ilha são um programa que não existe em nenhum outro ponto do litoral brasileiro nesse preço. E a Ilha do Campeche tem a melhor água de toda a região sul do país.
A ilha tem 42 praias, mais de 20 trilhas e uma gastronomia de mar que funciona o ano inteiro. O segredo é não tentar ver tudo em uma viagem só. Com 5 dias, você cobre o essencial: a Lagoinha do Leste (a praia que exige esforço e recompensa), a Ilha do Campeche (a melhor água da região sul), as ostras do Ribeirão (programa exclusivo da ilha), as praias calmas do norte e o pôr do sol de Santo Antônio de Lisboa. Escolha a região certa de hospedagem (Lagoa da Conceição para primeira visita), vá na época certa (primeira quinzena de dezembro ou março para o melhor equilíbrio entre clima e preço) e aceite que Florianópolis pede segunda visita. Se a primeira for bem planejada, a segunda já vem com mapa próprio.
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