
Surf em Ubatuba: Guia de Picos por Nível com Dicas Locais
Lineup de Itamambuca ao amanhecer com sets entrando e Serra do Mar ao fundo coberta de neblina matinal
Foto: Travel with Lenses / Pexels
Os melhores picos de surf de Ubatuba por nível de surfista. Tipo de onda, fundo, melhor swell, infraestrutura e o que ninguém te conta sobre cada break.
Ubatuba sedia etapas de campeonatos nacionais de surf e concentra pelo menos seis picos consistentes em menos de 50 km de costa entre a Serra do Mar e o Atlântico. Mesmo assim, a maioria dos surfistas de fora repete a mesma receita: vai pra Itamambuca, pega umas ondas, volta. O que eles perdem é que a 15 minutos de carro tem onda mais potente, com menos gente e zero disputa pra entrar na água.

Lineup de Itamambuca ao amanhecer com sets entrando e Serra do Mar ao fundo coberta de neblina matinal
Foto: Travel with Lenses / Pexels
Melhores picos de surf em Ubatuba
Os melhores picos de surf de Ubatuba são Itamambuca, Vermelha do Norte, Félix, Prumirim, Barra Seca e Praia Grande do Bonete, com destaque para Itamambuca pela consistência de ondas, fundo de areia seguro e infraestrutura completa na entrada da praia.
Ubatuba recebe swells de sul e sudeste com mais frequência entre abril e setembro, mas também pega ondulações de leste no verão. A orientação da costa varia bastante de pico a pico, então o mesmo swell que funciona em Itamambuca pode não entregar nada em Prumirim. Abaixo, os seis picos que o Tripmundão recomenda priorizar.
Itamambuca
A referência de surf do litoral norte de SP. Itamambuca recebe swells de sul e sudeste com consistência de abril a setembro, entregando ondas de 1 a 2,5 metros no tamanho mais frequente. O fundo é de areia, o que reduz risco e torna o pico acessível para surfistas de todos os níveis.
A praia tem extensão de quase 2 km, bancadas que mudam ao longo do ano e um rio na ponta esquerda que cria um canal de retorno útil pra quem não quer gastar energia na remada. Já sediou etapas do Circuito Brasileiro e do QS.
Na parte de infraestrutura, Itamambuca é o único pico de Ubatuba que tem tudo: estacionamento (R$ 30-50), escolas de surf na entrada, aluguel de prancha, quiosques com alimentação e chuveiro. É também o pico mais lotado. Nos fins de semana de inverno com swell bom, o lineup enche a ponto de comprometer a sessão.
Dica que muda a sessão: chegue antes das 7h. O vento terral (que vem da serra) mantém a onda lisa até por volta das 10h. Depois disso, o vento nordeste começa a entrar e a superfície da água fica picotada. Caminhar 300 metros para qualquer lado do pico principal quase sempre resolve o problema de gente.

Surfista em onda cavada em Itamambuca com morro verde de Mata Atlantica ao fundo
Foto: Marcus Cardoso / Pexels
Vermelha do Norte
Poucos quilômetros ao norte de Itamambuca, a Vermelha do Norte é o pico para quem quer onda de verdade e aceita as condições que vêm junto. Point break com fundo de pedra e areia grossa no canto esquerdo, que gera esquerdas longas, rápidas e potentes quando o swell de sul entra com 1 a 2,5 metros.
Alerta honesto: a Vermelha do Norte não perdoa. O fundo de pedra é raso no inside, a corrente lateral puxa para o costão em dias maiores e não tem salva-vidas. Se você não tem experiência em pico de pedra, observe de fora. Em dias acima de 2 metros, só para surfistas avançados com conhecimento do pico.
O que ninguém te avisa: a Vermelha do Norte tem localism. Não é agressivo como alguns picos do Rio, mas surfistas locais têm prioridade tácita e não recebem bem quem chega dropando sem respeitar a ordem. Se você não conhece o pico, sente no canal uns 15 minutos, observe a dinâmica, e entre aos poucos.
Não tem estrutura nenhuma na areia. Sem banheiro, sem quiosque, sem estacionamento formal. Estacione na beira da estrada e desça por uma trilha curta de 10-15 minutos.
Félix
A Praia do Félix funciona como pico de surf no canto esquerdo, onde o fundo de pedra e areia cria esquerdas curtas quando o swell de sudeste entra com 1 a 1,5 metro. Os costões protegem o pico, o que filtra swell grande e cria condições mais controladas. Nível intermediário: a onda não perdoa erro de posicionamento e o fundo de pedra exige cálculo na hora de cair.
O canto direito é completamente diferente, com mar mais calmo e ondas menores. Essa divisão natural faz do Félix um pico versátil: o surfista mais experiente vai pra esquerda, o acompanhante que não surfa fica na direita.
O crowd para surf é quase zero porque a maioria dos surfistas vai direto pra Itamambuca. Estacionamento pago (R$ 40-60 na alta temporada) e quiosques na areia com porções na faixa de R$ 50-80.

Onda quebrando no canto esquerdo do Felix com costao rochoso e vegetacao densa ao fundo
Foto: Eduardo Ocampo / Pexels
Prumirim
Prumirim não é o primeiro pico que vem à cabeça quando se fala de surf em Ubatuba, mas funciona surpreendentemente bem com swell de leste e sudeste entre 1 e 1,5 metros. A ilha em frente à praia filtra a ondulação e cria ondas tubulares curtas que recompensam posicionamento preciso. O fundo é misto (areia e pedra).
Nível intermediário. Não é lugar para aprender, mas quem já tem alguma prática encontra sessões prazerosas sem a multidão de Itamambuca. A Cachoeira do Prumirim fica a 100 metros da estrada, no caminho da praia, e funciona como pós-surf perfeito: poço grande com queda de 6 metros, 10 minutos de caminhada.
Estacionamento pago (R$ 40-50). Quiosques na areia. Água visivelmente mais limpa que a média do litoral paulista.
Barra Seca
Um pico que a maioria dos guias de viagem ignora e que surfistas locais preferem manter quieto. Beach break na região norte de Ubatuba, com uma esquerda longa que funciona com swell de sul entre 1,5 e 2 metros, fundo predominantemente de areia.
Nível intermediário a avançado. A onda tem força e a remada de volta é trabalhosa quando o swell está maior. O crowd é significativamente menor do que em Itamambuca, mas nos dias clássicos aparece gente de São Paulo e do Vale do Paraíba.
Pule se você é iniciante: a corrente lateral é forte e não tem salva-vidas. Sem estrutura na praia. Estacionamento informal na beira da estrada.
Praia Grande do Bonete
O pico mais remoto e mais recompensador de Ubatuba. Acessível por trilha de aproximadamente 40-45 minutos a partir da Praia da Fortaleza, o que funciona como filtro natural de crowd. Beach break de fundo de areia com ondas consistentes de sul e sudeste, entre 0,5 e 2 metros.
Nível intermediário. O isolamento e a falta total de infraestrutura (sem banheiro, sem comida, sem água potável) tornam o pico uma experiência para quem está disposto a se comprometer. Leve prancha na cabeça pela trilha, água, lanche, protetor solar e tudo que precisar. Se algo der errado, a ajuda mais próxima está a 40 minutos de caminhada.
Pule isso se você quer sessão rápida e voltar pro almoce. O Bonete é programa de dia inteiro.
Valores aproximados de 2025/2026. Confirme antes de reservar.
Picos por nível de surfista
Iniciantes
Itamambuca é o único pico de Ubatuba realmente recomendável para quem está aprendendo. O fundo de areia reduz risco, as escolas na entrada oferecem aulas com prancha e lycra incluídos (R$ 80-150/hora) e a extensão da praia permite escolher trechos com onda menor. O canto direito do Félix também funciona em dias de mar pequeno, mas não tem escola nem estrutura voltada pra iniciante.
Overhyped para surf: praias urbanas como Enseada e Praia Grande do centro têm onda fraca e desorganizada. Parecem opção segura, mas o aprendizado rende menos porque a onda não tem forma. Itamambuca com instrutor é mais produtivo.
Intermediários
Prumirim entrega sessões curtas e técnicas, com tubos que exigem timing. Félix (canto esquerdo) tem onda mais forte que Itamambuca e funciona como degrau natural de progressão. Barra Seca, nos dias certos, é uma esquerda longa que recompensa quem já sabe ler o mar.
A dica pra esse nível: cheque a previsão na noite anterior (Windguru ou Surfguru), compare direção do swell com a orientação do pico e saia cedo pra pegar o terral.
Avançados
Vermelha do Norte é o pico mais exigente de Ubatuba com acesso relativamente fácil. Onda potente, seções rápidas, fundo misto. Nos dias maiores (acima de 2 metros), o pico pede experiência real. Praia Grande do Bonete combina isolamento total com ondas de qualidade, mas você precisa investir 40 minutos de trilha antes de entrar na água.
Para quem quer explorar além dos picos óbvios, vale conversar com surfistas locais nos shapers e lojas de surf do centro de Ubatuba. Existem picos de pedra menores que não aparecem em nenhum guia e que funcionam em condições específicas.
Quando surfar em Ubatuba
A melhor temporada de surf em Ubatuba vai de abril a setembro, quando swells de sul e sudeste gerados por frentes frias no Atlântico Sul chegam com consistência. É nesse período que Itamambuca e Vermelha do Norte recebem as melhores ondas em tamanho e forma.
No verão (dezembro a março), as ondulações predominantes são de leste, geralmente menores e com menos força. Prumirim é um dos poucos picos que funciona bem com esse tipo de swell. O verão também traz mais chuva, água mais turva perto dos rios e crowd absurdo nas praias.
A temperatura da água varia de 18-20 graus no inverno a 24-26 graus no verão. No inverno, um long john (3/2mm) é obrigatório. Em julho e agosto, um full suit de 4/3mm é mais confortável nas sessões longas. No verão, lycra basta.
O vento é o fator que mais muda a qualidade da sessão. O terral (vento da terra, que vem da serra) sopra nas primeiras horas da manhã e deixa a onda lisa. A partir das 10h-11h, o vento nordeste costuma entrar e picotar a superfície. Sessões de manhã cedo são quase sempre superiores.
| Swell predominante | Tamanho médio | Crowd | Água | |
|---|---|---|---|---|
| Outono (abr-jun) | Sul/sudeste | 1-2,5 m | Moderado | 20-23 C |
| Inverno (jul-set) | Sul/sudeste | 1-2,5 m | Baixo (semana) / Alto (fds com swell) | 18-20 C |
| Primavera (out-dez) | Transição | 0,5-1,5 m | Crescendo | 21-24 C |
| Verão (jan-mar) | Leste | 0,5-1,5 m | Alto | 24-26 C |
melhor época para visitar Ubatuba
Escolas de surf e aluguel de prancha
A concentração de escolas de surf fica em Itamambuca, onde pelo menos quatro ou cinco operações oferecem aulas na areia. O formato padrão é aula individual ou em grupo pequeno (até 4 alunos), com duração de 1 hora, prancha e lycra incluídos.
Faixas de preço para aulas:
- Aula individual: R$ 120-180/hora
- Aula em grupo (2-4 pessoas): R$ 80-120 por pessoa/hora
- Pacote de 3 aulas: geralmente sai 15-20% mais barato que avulsas
Para aluguel de prancha sem aula, a faixa fica entre R$ 40-80 por dia dependendo do tipo (funboard, longboard ou shortboard). Itamambuca é onde você encontra mais opções. Em praias como Félix e Prumirim, aluguel na areia é raro. Nos picos isolados (Vermelha do Norte, Barra Seca, Bonete), não existe aluguel. Leve sua prancha.
Se você viaja com prancha própria, a Rio-Santos entre São Paulo e Ubatuba tem trechos de serra sinuosa. Rack no teto funciona, mas prancha dentro do carro é mais seguro pra pranchas mais curtas. Parafina, leash e quilhas sobressalentes você encontra em lojas de surf no centro de Ubatuba. Shapers locais atendem na região do Perequê-Açu para consertos.
Valores aproximados de 2025/2026. Confirme antes de reservar.
Infraestrutura e acesso aos picos
A tabela abaixo organiza o que nenhum outro guia organiza num lugar só: dados técnicos e práticos de cada pico, lado a lado.
| Fundo | Nível | Melhor swell | Estacionamento | Estrutura na areia | Acesso | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Itamambuca | Areia | Todos | Sul/sudeste | ✅ Pago (R$ 30-50) | ✅ Completa | Carro, Rio-Santos |
| Vermelha do Norte | Pedra/areia | Avançado | Sul | ❌ Informal | ❌ Nenhuma | Carro + trilha curta |
| Félix (canto esquerdo) | Pedra/areia | Intermediário | Sudeste | ✅ Pago (R$ 40-60) | ✅ Quiosques | Carro, Rio-Santos |
| Prumirim | Areia/pedra | Intermediário | Leste/sudeste | ✅ Pago (R$ 40-50) | ✅ Quiosques | Carro, Rio-Santos |
| Barra Seca | Areia | Interm./avançado | Sul | ⚠️ Informal | ❌ Nenhuma | Carro, estrada secundária |
| Bonete | Areia | Intermediário | Sul | ❌ Não (trilha) | ❌ Nenhuma | Trilha 40-45 min |
Três notas práticas:
Carro é obrigatório. Os melhores picos ficam espalhados ao longo da Rio-Santos, e não existe transporte público útil entre eles. Sem carro, você fica preso a Itamambuca ou às praias urbanas do centro.
Na alta temporada (dezembro a fevereiro), o trânsito na Rio-Santos nos fins de semana é pesado. O trecho entre o centro de Ubatuba e Itamambuca, que leva 15 minutos normalmente, pode passar de 40 minutos num sábado de janeiro.
Pertences na areia: nos picos com estrutura (Itamambuca, Félix, Prumirim), dá pra deixar mochila perto dos quiosques. Nos picos sem estrutura (Vermelha do Norte, Barra Seca, Bonete), leve apenas o essencial e esconda chave do carro no corpo. Arrombamento de carro em estacionamento informal acontece.
quanto custa viajar para Ubatuba
Dicas locais e segurança
O localism em Ubatuba existe, mas não é generalizado. Itamambuca, por ser o pico mais movimentado, tem localism diluído pelo tamanho da praia e pela rotatividade de visitantes. A Vermelha do Norte é o pico onde você mais vai sentir: comunidade pequena que surfa ali há anos e não tolera quem fura a fila. A regra que funciona em qualquer pico: sente no canal, observe 10 minutos, entre pelo lado, respeite a vez. Em Ubatuba, isso é suficiente.
Correntes de retorno são o perigo real. Em Itamambuca, a foz do rio cria corrente lateral que puxa para o norte nos dias de swell acima de 1 metro. Na Vermelha do Norte, a corrente leva para o costão. Se você sentir que está sendo puxado, não lute contra. Reme paralelo à praia até sair da corrente. Nos picos sem salva-vidas (Vermelha do Norte, Barra Seca, Bonete), não tem socorro rápido se algo der errado.
Ouriços aparecem em todos os picos com fundo de pedra: Vermelha do Norte, Félix e costões em geral. Botinha de neoprene ajuda. Se pisar num ouriço, vinagre quente dissolve os espinhos. Não tente arrancar.
Dica ultra-específica: em Itamambuca, o banco de areia que forma em frente à foz do rio (lado esquerdo da praia, olhando para o mar) tende a criar a onda mais cavada e tubular do pico. Mas o banco muda a cada ressaca. Chegue, observe 15 minutos de fora, identifique onde os locais estão sentados. Se estão todos no mesmo trecho, é ali que o banco está formado.
Para previsão de ondas, Windguru e Surfguru são os mais usados na região. O Windguru tem dados mais detalhados de vento. O Surfguru tem câmeras ao vivo em alguns picos (Itamambuca incluso), o que ajuda a decidir se vale sair da cama às 6h.

Vista do lineup de um dos picos do norte de Ubatuba com poucos surfistas na agua e vegetacao densa na costa
Foto: Travel with Lenses / Pexels
Ubatuba tem onda pra quem está aprendendo e pra quem já surfa há 20 anos. A diferença entre uma trip que rende e uma que frustra não é o tamanho do swell. É saber qual pico funciona em qual condição, respeitar quem está na água antes de você e aceitar que nem todo dia é dia de surf. Nos dias que não rola, a cidade ainda tem trilhas, cachoeiras e mais de 100 praias pra explorar. O planejamento completo está no guia completo de Ubatuba.
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