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Cânion das Bandeirinhas com paredões verticais e piscina natural, Serra do Cipó

Trilhas em Serra do Cipó: Guia das 5 Melhores

Os paredoes verticais do Canion das Bandeirinhas, com a agua encaixada entre as rochas.

Bergson / @guiadocipo

Por Time TripMundão

O silêncio do campo rupestre na Serra do Cipó quebra de repente quando a trilha contorna um paredão de quartzito e o barulho de água aparece antes da imagem. A neblina baixa encobre a vegetação endêmica, e o som ecoa entre as serras. O que pouca gente sabe: as Portarias das Areias e do Retiro aceitam no máximo 250 visitantes por dia cada uma, e a do Alto Palácio, apenas 70. Em feriado a cota dobra. Quem não chega cedo volta sem entrar.

Melhores trilhas da Serra do Cipó

As melhores trilhas da Serra do Cipó são o Cânion do Travessão, o Cânion das Bandeirinhas, a Cachoeira da Farofa, a Cachoeira do Tombador, a Cachoeira das Andorinhas e a Cachoeira do Gavião, com destaque para a Farofa, que oferece 7 km de trilha bem sinalizada dentro do Parque Nacional com entrada gratuita e um conjunto de sete quedas d'água entre paredões de quartzito. A região concentra trilhas para todos os níveis, desde caminhadas curtas de 2 km até travessias de 32 km que exigem guia e preparo físico sério. Deste conjunto, este guia ainda não detalha a Cachoeira das Andorinhas nem a Cachoeira do Gavião: as duas entram na lista de melhores por indicação de quem conhece a serra, e a ficha de cada uma fica para a próxima revisão.

O Parque Nacional da Serra do Cipó funciona de quarta a domingo, das 8h às 17h, com entrada permitida até as 14h. A entrada é gratuita.

Verifique disponibilidade e limites de visitantes antes de sair. Portarias fecham ao atingir a cota diária.

Cachoeira da Farofa

A trilha mais popular do parque, e por bom motivo. O caminho de 7 km pela Serra da Bandeirinha é bem sinalizado e passa por córregos, lagoas e mata de galeria até chegar num conjunto de sete quedas que terminam num poço cercado de quartzito. O barulho da água cresce aos poucos ao longo do trajeto, e nos últimos 500 metros a vegetação abre para o vale.

  • Distância: 7 km (ida)
  • Dificuldade: 2/5
  • Tempo estimado: 2h (ida)
  • Guia obrigatório: Não (recomendado)
  • Melhor época: maio a setembro
  • Portaria: Areias (km 92, MG-010)

Dica: dá pra alugar bicicleta na própria Portaria Areias ou na Casa dos Ciclistas. O trecho inicial é plano o suficiente para pedalar, e o tempo cai pela metade.

Vista aérea da Cachoeira da Farofa, no interior do Parque Nacional da Serra do Cipó

A Cachoeira da Farofa, destino dos 7 km de trilha dentro do PARNA, vista de cima por drone.

Bergson / @guiadocipo

Cânion das Bandeirinhas

O Cânion das Bandeirinhas é a trilha que separa quem passeia de quem trilha de verdade na Serra do Cipó. São 12 km até o cânion (24 km ida e volta), com trechos de estrada de terra que ficam pesados após chuva. O visual compensa: formações rochosas verticais, piscinas naturais encaixadas entre pedras e travessias de rio.

  • Distância: 12 km (ida)
  • Dificuldade: 3/5
  • Tempo estimado: 4h-5h (ida)
  • Guia obrigatório: Não
  • Melhor época: maio a setembro
  • Portaria: Areias

Trilheiros relatam que o trecho final é onde a trilha fica menos marcada. Quem não tem experiência em navegação deve considerar guia local. No verão, o nível dos rios sobe e as travessias ficam arriscadas.

Cânion das Bandeirinhas com paredões verticais e piscina natural, Serra do Cipó

Os paredoes verticais do Canion das Bandeirinhas, com a agua encaixada entre as rochas.

Bergson / @guiadocipo

Cânion do Travessão

A trilha mais exigente entre as populares do PARNA. São 18 km até o mirante que divide as bacias do Rio São Francisco e do Rio Doce. O terreno de campo rupestre é aberto, sem sombra, com sol direto na maior parte do percurso. Quem completa a trilha vê um dos mirantes mais amplos da Serra.

  • Distância: 18 km (ida e volta)
  • Dificuldade: 4/5
  • Tempo estimado: 6h-8h
  • Guia obrigatório: Sim
  • Melhor época: maio a agosto
  • Portaria: Areias

Há pontos de abastecimento de água no percurso, e 1,5 litro por pessoa dá conta. Leve chapéu, porque sombra não tem. No meio do caminho fica um sítio arqueológico.

Cachoeira do Tombador

Menos procurada que a Farofa, a trilha do Tombador é uma boa alternativa para quem quer fugir do fluxo principal. São 9 km ida e volta até uma queda de 12 metros com poço para banho. O acesso é pela Portaria do Retiro, que aceita 250 pessoas por dia.

  • Distância: 9 km (ida e volta)
  • Dificuldade: 3/5
  • Tempo estimado: 4h-5h
  • Guia obrigatório: Não
  • Melhor época: maio a setembro
  • Portaria: Retiro

A trilha certa para quem quer silêncio. Nos dias úteis, é comum fazer o trajeto inteiro sem cruzar com ninguém.

Vista aérea da Cachoeira do Tombador com poço de banho na base, Serra do Cipó

A Cachoeira do Tombador, com poço de banho na base, vista de cima por drone.

Bergson / @guiadocipo

Circuito das Lagoas

Para quem vem pela primeira vez ou prefere algo leve, o Circuito das Lagoas dentro do PARNA resolve. São 2 km de caminhada fácil, com lagoas de água escura cercadas por vegetação de campo rupestre. Funciona bem como primeiro contato com o parque, e dá pra combinar com um piquenique.

  • Distância: 2 km (ida e volta)
  • Dificuldade: 1/5
  • Tempo estimado: 1h
  • Guia obrigatório: Não
  • Melhor época: o ano todo
  • Portaria: Areias
Vista aérea da Lagoa Dourada, na Serra do Cipó, registrada por drone

A Lagoa Dourada vista de cima por drone.

Bergson / @guiadocipo

Cachoeiras de Serra do Cipó

Fora do Parque Nacional, a Serra do Cipó tem dezenas de cachoeiras em propriedades privadas com entrada paga. As mais acessíveis ficam ao longo da MG-010, entre o centrinho de Serra do Cipó e a Portaria das Areias.

Cachoeira Grande

O cartão-postal da região: uma cortina d'água de 10 metros de altura por 60 metros de largura. O acesso é curto (cerca de 1 km de caminhada) e fácil. São três áreas de banho diferentes (Grande, Chica e Tomé), com profundidades variadas. A água não é gelada nos meses de verão.

  • Altura: 10 m
  • Acesso: 1 km, fácil
  • Banho: Sim, três poços, temperatura agradável
  • Vazão: forte de novembro a março, reduzida de julho a setembro
  • Infraestrutura: estacionamento, banheiros
  • Entrada: R$ 60

Atenção: o valor antigo de R$ 30 ainda circula em blogs e vídeos. O preço atualizado (2024) é R$ 60. A Cachoeira Grande é a mais visitada da região e lota nos fins de semana e feriados. Quem quer curtir com tranquilidade deve ir em dia útil, antes das 10h.

Cachoeira Grande com cortina d água de 60 metros de largura, Serra do Cipó

A Cachoeira Grande e sua cortina d'água de 60 metros de largura, na Serra do Cipó.

Bergson / @guiadocipo

Cachoeira Véu da Noiva

A mais fácil de todas: 200 metros de trilha com corrimão e escadaria desde o estacionamento. A queda é alta (aproximadamente 70 metros), mas a vazão varia muito ao longo do ano. Em setembro, trilheiros relatam que o volume cai para um fio d'água. De dezembro a março, a queda impressiona, mas o risco de tromba d'água aumenta.

  • Altura: ~70 m
  • Acesso: 200 m, acessível
  • Banho: Sim, piscina natural na base
  • Vazão: forte de dezembro a março, fraca de agosto a outubro
  • Infraestrutura: restaurante, bar, banheiros, salva-vidas, camping
  • Entrada: R$ 50 (day use)

Melhor para famílias e casais que não querem trilha longa. A estrutura do complexo ACM é completa, mas fica lotada nos fins de semana, mesmo fora da alta temporada.

Vista aérea da Cachoeira Véu da Noiva descendo o vale de cerrado, Serra do Cipó

A Cachoeira Veu da Noiva descendo um vale de cerrado, vista de cima por drone.

Bergson / @guiadocipo

Cachoeira Serra Morena

Duas quedas (Serra Morena 01 e 02) num cenário mais contemplativo e com menos gente. O acesso inclui 9 km de estrada até a entrada, depois 2 km de trilha fácil. Não tem lanchonete nem estrutura comercial. A vista das serras durante a caminhada é o ponto forte.

  • Acesso: 2 km de trilha após 9 km de estrada
  • Banho: Sim, poços em ambas as quedas
  • Vazão: forte na temporada de chuvas, moderada no inverno
  • Infraestrutura: mínima, sem comércio
  • Entrada: R$ 60

A hidden gem da lista. A maioria dos visitantes fica concentrada na Cachoeira Grande e no Véu da Noiva. Quem topa o acesso mais longo encontra Serra Morena praticamente vazia, especialmente durante a semana.

Cachoeira Serra Morena com vista das montanhas ao fundo, Serra do Cipó

A Cachoeira Serra Morena, com as montanhas da Serra do Cipó ao fundo.

Bergson / @guiadocipo

Bambuzal e Prainha do Ribeirão Bocaina

Dentro do Parque Nacional, a Prainha do Ribeirão Bocaina é uma baía de água doce formada pelos rios Gavião e Andorinhas, no Bambuzal. São 2 km de trilha sinalizada, com entrada pela Portaria do Retiro. Não é cachoeira, mas funciona como praia de rio com areia e água rasa. Nos fins de semana, Marlene monta uma barraquinha de petiscos.

  • Acesso: 2 km, fácil
  • Banho: Sim, água rasa, ideal para crianças
  • Entrada: Gratuita (dentro do PARNA)
  • Portaria: Retiro

Pule a Cachoeira Grande se você já tem acesso ao parque: a Prainha oferece banho numa fração do custo (zero) e com menos gente.

Valores aproximados de 2024. Confirme antes de reservar.

Trilhas por nível de dificuldade

TrilhaDistânciaTempoPortariaDestaque
Fácil (1/5)Circuito das Lagoas2 km i/v1hAreiasIdeal para iniciantes e casais
Fácil (1/5)Cachoeira Grande1 km30minFora do PARNATrês áreas de banho, R$ 60
Fácil (1/5)Véu da Noiva200 m15minFora do PARNAAcessível, estrutura completa
Fácil (2/5)Prainha do Bocaina1,5 km40minAreiasPraia de rio, gratuita
Fácil (2/5)Cachoeira da Farofa7 km (ida)2hAreiasA mais popular do parque
Moderada (3/5)Serra Morena2 km + estrada1h30Fora do PARNAContemplativa, pouco visitada
Moderada (3/5)Cachoeira do Tombador11 km i/v4h-5hRetiroLimite de 70 pessoas/dia
Moderada (3/5)Cânion das Bandeirinhas24 km i/v8h-10hAreiasTravessias de rio, longa
Difícil (4/5)Cânion do Travessão18 km i/v6h-8hAreiasGuia obrigatório, sem sombra

"Moderada" na Serra do Cipó não é a mesma coisa que em outras serras de Minas. O terreno de quartzito fica escorregadio com chuva, as travessias de rio exigem cuidado com o nível da água, e o campo rupestre sem sombra castiga no calor. Uma trilha de 11 km aqui equivale a algo mais exigente em terreno sombreado.

O que levar

Trilhas fáceis (1-2/5): 1,5 litro de água no mínimo, protetor solar fator 50, tênis fechado com aderência (chinelo escorrega no quartzito), chapéu ou boné.

Trilhas moderadas (3/5): tudo acima, mais mochila de ataque, lanche energético (barra, fruta, castanha), capa de chuva leve e sandália de neoprene para as travessias de rio no Cânion das Bandeirinhas.

Trilhas difíceis (4-5/5): tudo acima, mais kit de primeiros socorros, GPS com mapa offline baixado antes de sair (sinal de celular é inexistente em boa parte das trilhas), lanterna headlamp e casaco impermeável.

Quem visita no inverno precisa de roupa de camadas: as manhãs chegam a 14°C em julho, e o vento no campo rupestre de altitude intensifica a sensação térmica. Depois de molhar os pés na travessia de rio, o frio pega rápido.

Regra de ouro para qualquer época: se o céu fechar e as nuvens escurecerem nas cabeceiras, saia das calhas de rio e cânions imediatamente. Não espere a água chegar. Tromba d'água na Serra do Cipó não dá aviso próximo.

Guias e operadoras

Dentro do PARNA, o Cânion do Travessão exige guia. Para as demais trilhas do parque, guia não é legalmente obrigatório, mas é recomendado nas trilhas mais longas e menos sinalizadas, como o Cânion das Bandeirinhas e a Cachoeira João Fernandes (32 km, difícil).

A Conecta Cipó (WhatsApp: 31 97219-0448) é uma agência local de turismo com condutores credenciados pela prefeitura de Santana do Riacho. A Casa dos Ciclistas oferece aluguel de bikes e passeios guiados de quadriciclo. Para quem combina a visita com Lapinha da Serra, a Lapinha Aventura opera pacotes com hospedagem e transporte inclusos.

Guias locais credenciados cobram, em média, entre R$ 150 e R$ 300 por grupo, dependendo da trilha e duração. Contratar guia tem uma vantagem prática além da segurança: eles conhecem os limites de visitantes por portaria e chegam cedo, reduzindo o risco de você ficar de fora.

Valores aproximados. Confirme diretamente com as operadoras.

Dicas de segurança

Tromba d'água é o risco mais sério da Serra do Cipó e o mais ignorado por blogs de viagem. Entre outubro e março (temporada de chuvas do cerrado), enxurradas repentinas podem atingir calhas de rio e cânions sem aviso no local. A chuva pode estar caindo nas cabeceiras, quilômetros acima, enquanto o céu na sua posição ainda está limpo. Sinais de alerta: nuvens escuras nas cabeceiras, barulho crescente de água sem chuva local, mudança súbita na cor ou velocidade do rio. A resposta é imediata: suba para terreno elevado, saia da drenagem. Não espere ver a água.

Contatos de emergência em Santana do Riacho: Defesa Civil (31 98306-5862) e Corpo de Bombeiros (193).

Fauna: cobras peçonhentas são comuns na vegetação rasteira do campo rupestre. Carrapatos aparecem em trilhas com grama alta, especialmente no inverno. Use calça comprida nas trilhas com vegetação densa e confira o corpo depois.

Sinal de celular: praticamente inexistente dentro do PARNA. Baixe mapas offline antes de sair. Nas trilhas fora do parque, o sinal é intermitente.

Água: leve a sua. Não presuma que água de nascente ou rio está segura para beber.

Trilha solo: seguro nas trilhas curtas e bem sinalizadas (Farofa, Circuito das Lagoas, cachoeiras fora do parque). Não recomendado no Cânion das Bandeirinhas, Travessão ou trilhas acima de 15 km sem experiência.

MG-010: a rodovia de acesso desde BH (~90 km) passa por obras de pavimentação e duplicação. Em feriados e fins de semana de alta temporada, o fluxo fica elevado e o tempo de deslocamento pode dobrar. Consulte os alertas do DER-MG antes de sair.

Limites de visitantes: Portaria das Areias, 250 pessoas por dia. Portaria do Retiro, 250. Portaria do Alto Palácio, 70. Em feriado a cota dobra, e ainda assim se esgota antes das 10h. Confira a melhor época para visitar e planeje chegar antes das 8h.

Para informações sobre hospedagem, como chegar e custos detalhados, veja o guia completo de Serra do Cipó.

Campo rupestre com flora que não existe em nenhum outro lugar do planeta, água de montanha em rios de quartzito, e uma escala mais acessível que a Chapada Diamantina ou a Chapada dos Veadeiros. A Serra do Cipó concentra tudo isso a 90 km de Belo Horizonte. Planejando a viagem completa? O roteiro de Serra do Cipó ajuda a encaixar trilhas e cachoeiras no seu tempo disponível. Uma coisa não muda: chegue cedo. As portarias não esperam.

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