
Travessia das Sete Quedas: 23,5 km pelo cerrado da Chapada dos Veadeiros
As Sete Quedas do Rio Preto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Foto: Edson Faria Junior / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
A Travessia das Sete Quedas em 1 a 3 dias: 23,5 km de cerrado, dois acampamentos com vagas limitadas, as regras do parque e quando ela abre.
A Travessia das Sete Quedas tem dia para abrir e dia para fechar, e quem marca o calendário é o Rio Preto. São cerca de 23,5 km num sentido só, do Centro de Visitantes da Vila de São Jorge até a rodovia GO-239, dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. No caminho ficam dois acampamentos, duas passagens pelo rio e muitos quilômetros de cerrado aberto, quase sem sombra. O próprio parque classifica a trilha como pesada.
A travessia é para quem já acampou, carrega a própria barraca e aguenta um dia inteiro de sol sobre quartzito solto. Ela não pede técnica de montanha, mas pede planejamento: ingresso, vaga no acampamento, água para o trecho seco e a volta da GO-239 até São Jorge, que nenhuma fonte oficial explica. Não é para quem nunca dormiu em barraca, nem para quem só tem férias entre dezembro e maio, quando ela costuma estar fechada. Para um primeiro contato com o parque, as trilhas dos Saltos e dos Cânions resolvem em um dia.
Ficha técnica da Travessia das Sete Quedas
| O que sabemos | Fonte | |
|---|---|---|
| Dificuldade | Pesada, segundo o parque, e classe 3 no protocolo de visitação. Campo limpo, campo rupestre e cerrado, quartzito solto, trechos pedregosos e íngremes no fim e quase nenhuma sombra | Página oficial do parque, sem data, lida em out/2026; protocolo de visitação do ICMBio, 2025 |
| Distância | Cerca de 23,5 km, num sentido só: a travessia não volta ao ponto de partida | Página oficial do parque, lida em out/2026 |
| Dias | 1, 2 ou 3 dias, com até duas noites seguidas em cada acampamento | Página oficial do parque; protocolo do ICMBio, 2025 |
| Altitude e desnível | Não publicamos número: não achamos altimetria da travessia nas fontes oficiais que consultamos | Levantamento TripMundão, out/2026 |
| Temporada | Só na seca, geralmente de junho a outubro ou novembro, com datas definidas pela chefia do parque a cada ano conforme o nível do Rio Preto. Em 2025, foi até 11 de outubro. As datas de 2026 não estavam em nenhuma das páginas que consultamos | Protocolo do ICMBio, 2025; imprensa, fev/2026 |
| Guia | Não é obrigatório, pela Portaria ICMBio 769/2019. O ICMBio recomenda condutor para todos os visitantes | Protocolo do ICMBio, 2025 |
| Entrada | Pelo Centro de Visitantes, das 7 h às 12 h. O protocolo recomenda estar na trilha até as 9 h. Não há horário de saída | Protocolo do ICMBio, 2025 |
| Acampamentos | Boa Sorte, com 30 vagas por noite, e Sete Quedas, com 40. Só se acampa nesses dois, e a reserva é obrigatória para pernoitar | Protocolo do ICMBio, 2025 |
| Custos | Ingresso de R$ 49 (meia de R$ 24,50; R$ 5 para residente cadastrado). Acampamento de R$ 25 por noite; a página do parque não diz se é por pessoa | Site oficial do parque, out/2026; imprensa, fev/2026 |
| Ponto de partida | Centro de Visitantes da Vila de São Jorge, no km 36 da GO-239, em Alto Paraíso de Goiás. A chegada é na própria GO-239, por uma estrada de serviço | Protocolo do ICMBio, 2025; página oficial do parque, lida em out/2026 |
Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.
A trilha trecho a trecho
O parque publica a travessia por seções, com a quilometragem de cada uma, e é por elas que dá para planejar. A orientação é por setas: vermelhas no começo, laranjas depois da bifurcação. Os acumulados entre parênteses são soma nossa sobre os números oficiais.
Do Centro de Visitantes à Boa Sorte (cerca de 8,5 km)
Os primeiros 4 km são os mesmos da trilha dos Cânions e das Cariocas, com setas vermelhas, até uma bifurcação sinalizada. Dali são mais 1,5 km até o Cânion I, que fica num ramal de 400 m. Mais 3 km e você chega ao acampamento Boa Sorte, ao lado da primeira passagem do Rio Preto, no Poço da Capivara, que é bom para banho. O acampamento tem 30 vagas por noite e banheiro seco.

Cânion do Rio Preto entre paredões de rocha, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Foto: Daniel Francisco Madrigal Möller / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Da Boa Sorte às Sete Quedas (9 km, cerca de 17,5 km no total)
Depois de cruzar o Rio Preto, a trilha entra em 9 km de campo limpo, campo rupestre e cerrado até o acampamento das Sete Quedas. É a seção mais longa e a mais exposta ao sol. A orientação que o parque publica para a travessia de São Jorge à Capela, que usa o mesmo caminho por cerca de 7 km depois do rio, manda sair da Boa Sorte com pelo menos 2 L de água por pessoa: na seca, as únicas fontes desse trecho ficam no fim dele. Para o resto da seção não achamos dado oficial de água, então trate os 2 L como piso, não como conta fechada.

O cerrado e o Rio Preto vistos do alto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Foto: Túllio Franca / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O acampamento das Sete Quedas fica perto das cachoeiras que dão nome à trilha, com 40 vagas por noite, banheiro seco e um galpão rústico com mesas, bancos e pontos para armar rede. É o melhor lugar da travessia para gastar uma tarde, e por isso a divisão dos dias pesa tanto.
Das Sete Quedas à GO-239 (cerca de 6 km, 23,5 km no total)
Do acampamento, a trilha cruza o Rio Preto pela segunda vez e segue cerca de 6 km até a rodovia, pela estrada de serviço que vem da torre da Mata Funda. O parque avisa que as pedras da passagem do rio podem estar escorregadias, e é no fim do percurso que ficam os trechos pedregosos e íngremes. A saída fica perto do ponto oficial de pouso de parapente, na GO-239. Ali termina a orientação do parque: como voltar a São Jorge, nenhuma fonte aberta explica.

Piscinas naturais nas corredeiras do Rio Preto (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, GO)
Foto: Pedro Sloboda Jorge / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Como dividir em dias
O parque não publica roteiro dia a dia, só diz que a travessia cabe em 1, 2 ou 3 dias. As divisões abaixo são contas nossas sobre as seções oficiais, não roteiro do parque:
- Dois dias, dormindo nas Sete Quedas: cerca de 17,5 km no primeiro dia e 6 km no segundo.
- Dois dias, dormindo na Boa Sorte: cerca de 8,5 km no primeiro dia e 15 km no segundo, com a segunda passagem do rio.
- Três dias, uma noite em cada acampamento: cerca de 8,5 km, 9 km e 6 km. Exige duas reservas.
- Um dia: os 23,5 km de uma vez. Quem atravessa sem dormir não depende das vagas dos acampamentos, mas precisa entrar cedo e terminar com luz.
Se der, faça em três dias. É a única divisão em que nenhum dia passa de 9 km, e a tarde nas Sete Quedas sobra para o banho em vez de ir para a recuperação. Com só dois dias, durma nas Sete Quedas: os 17,5 km do primeiro dia cobram, mas o último fica curto, e você chega cedo à GO-239 para resolver a volta.
Segurança e quando não ir
O risco que mais pesa é o sol. São quilômetros de campo aberto, e nosso guia de trilhas da Chapada registra calor seco acima de 30 °C nas trilhas do parque e, em setembro, umidade do ar abaixo de 20% com 35 °C. Some isso ao quartzito solto e aos trechos íngremes do fim, e o cansaço chega antes do previsto. Entre cedo, beba antes de ter sede e não saia do rio sem os 2 L do trecho seco.
O segundo é o rio. A temporada só abre quando o Rio Preto baixa, e o parque avisa que as pedras das passagens podem estar escorregadias. Em novembro, já no começo da chuva, o acesso depende da avaliação do rio. Se ele estiver alto no dia, não force a passagem: espere ou volte.

Corredeira no Cânion 2, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)
Foto: Antonio Afras / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O terceiro é o fogo. Em 25 e 26 de setembro de 2024, segundo a imprensa local, um incêndio perto da Vila de São Jorge fechou o parque, e a equipe da concessionária retirou os campistas da área das Sete Quedas. O parque reabriu em 29 de setembro. O fim da temporada coincide com a pior época de fogo do cerrado, e outra reportagem, sem data, conta que num incêndio maior a travessia ficou fechada depois que as outras trilhas já tinham reaberto. Antes de sair, confirme com o parque se a travessia está aberta naquele dia.
No Centro de Visitantes, todo mundo assina um Termo de Conhecimento de Riscos e Normas, com nome, CPF, telefone, alergias, roteiro e hora de entrada. Preencha com o roteiro real, incluindo onde vai dormir, porque é por ele que alguém vai procurar você. Nosso guia de trilhas da Chapada é direto sobre ir sozinho: na Sete Quedas, nunca.
Quando não ir às Sete Quedas
Fora da temporada não há o que decidir: a travessia fecha, e ela costuma abrir só entre junho e outubro ou novembro. Dentro dela, julho é um dos meses mais cheios da Chapada, segundo nosso levantamento, e o acampamento das Sete Quedas tem só 40 vagas por noite. Setembro junta o ar mais seco do ano com a pior época de fogo. Se puder escolher, mire o começo da temporada ou agosto fora de feriado, e reserve assim que as datas saírem.
Pule a travessia se a viagem cair fora da temporada ou se não houver vaga de acampamento na sua data. A trilha dos Cânions e das Cariocas começa pelo mesmo caminho, tem cerca de 11 km de ida e volta, leva de 4 a 5 h e termina em banho de rio. Os detalhes estão na nossa página de trilhas e cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

Cachoeira das Cariocas, no fim da trilha dos Cânions (Chapada dos Veadeiros, GO)
Foto: Cristiamara Giordani / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Logística: como chegar, guia, reserva e custos
Como chegar a São Jorge
A travessia começa a pé no Centro de Visitantes, na Vila de São Jorge, no km 36 da GO-239. A base mais perto da portaria é a própria vila; Alto Paraíso de Goiás, a cerca de 230 km de Brasília, é a outra opção. O transfer de Brasília a Alto Paraíso sai de R$ 200 a R$ 400 por pessoa, segundo nosso guia completo da Chapada dos Veadeiros, que compara também carro alugado e ônibus.
A volta da GO-239
A travessia termina na rodovia, longe de onde começou, e nenhuma fonte aberta que consultamos diz como o visitante volta a São Jorge. O protocolo do parque só fala do condutor autorizado, que tem a chave do portão da saída e pode usar até dois veículos. Combine o retorno antes de entrar, com a pousada, com o condutor ou com o parque. Não conte com resolver isso na beira da estrada.
Guia
O condutor não é obrigatório: o protocolo de visitação de 2025 cita a Portaria ICMBio 769/2019 e recomenda a contratação para todos os visitantes. O site do parque publica a lista de condutores autorizados em PDF. Preço de condutor não achamos em nenhuma fonte aberta, então peça cotação a mais de um.
Para a primeira travessia, vá com condutor autorizado. Ele entra em qualquer horário, pode levar o equipamento de carro pela saída da GO-239 e montar as barracas nas Sete Quedas, o que deixa você caminhar só com a mochila de ataque. Também é o caminho mais curto para resolver a volta a São Jorge. E o grupo com condutor credenciado dispensa o vídeo institucional na entrada.
Se preferir ir em grupo organizado, fale com a Saia da Zona, agência de expedições criada pelo Franz Kenzo, do TripMundão, que a gente recomenda de olhos fechados. Ela organiza saídas para trilhas como essa. Vale chamar a Saia da Zona no WhatsApp para ver as datas.
Ingresso, acampamento e reserva
Ingresso e vaga de acampamento se compram antes, na loja do parque, operada pela concessionária Parquetur, ou na bilheteria. Para dormir na trilha, a reserva é obrigatória, e as vagas são poucas: 30 por noite na Boa Sorte e 40 nas Sete Quedas. Só se acampa nessas duas áreas, por no máximo duas noites seguidas em cada uma. Quem faz a travessia em um dia não depende dessas vagas.
Quanto custa
O ingresso custa R$ 49, com meia de R$ 24,50 e R$ 5 para residente cadastrado. O acampamento sai por R$ 25 por noite, e a página do parque não diz se o valor é por pessoa: confirme na compra, junto com a pergunta sobre o ingresso cobrir todos os dias da travessia. O site do parque também vende transporte interno, mas a travessia começa a pé no Centro de Visitantes e nenhuma fonte liga esse transporte à Sete Quedas, então não some na conta.
Condutor e retorno da GO-239 ficam por fora, sem valor publicado. A conta do resto da viagem está no nosso guia de quanto custa a Chapada dos Veadeiros.
Dinheiro
Dentro da travessia não há onde comprar nada, nem lixeira: leve toda a comida e traga todo o lixo de volta. Em São Jorge, nosso guia de onde ficar registra que o comércio funciona mais com dinheiro e PIX do que com cartão, e que a vila não tem agência bancária. Saque antes de subir para São Jorge.
Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.
Equipamento para a travessia
O parque exige que o equipamento de acampamento seja seu, e não há abrigo fechado no caminho: o galpão das Sete Quedas tem mesa, banco e ponto para rede, e só. A lista abaixo junta o básico de uma reportagem de fevereiro de 2026 com o que pedem as regras do parque e o nosso guia de trilhas.
- Barraca, saco de dormir e colchonete isolante.
- Lanterna de cabeça, para o acampamento e para as saídas antes do sol.
- Comida para todos os dias e fogareiro. Fogueira é proibida em toda a travessia, e o parque pede o fogareiro de preferência sobre rocha, longe da vegetação.
- Garrafas ou bolsa de água para pelo menos 2 L por pessoa no trecho seco.
- Roupa leve, boné, protetor solar e repelente.
- Calçado de trilha já amaciado, com sola que segure em quartzito solto.
- Mochila de ataque, para o ramal do Cânion I e para o caso de o condutor levar o equipamento.
- Um saco para trazer todo o lixo de volta.
Comida e bebida são permitidas na trilha e nos acampamentos. Drone também, desde que não se aproxime de paredões nem de vegetação.
Onde dormir antes e depois
Na véspera, durma em São Jorge. A entrada fecha às 12 h, o parque recomenda estar na trilha até as 9 h, e a vila fica colada na portaria. Alto Paraíso tem mais estrutura, mas fica mais longe do Centro de Visitantes, e na manhã da travessia cada minuto de estrada sai do horário fresco.
Na volta, a noite depende de como você combinou o retorno da GO-239. Se for a pousada ou o condutor que vai buscar, reserve a última noite na mesma vila da véspera e deixe ali o que não foi para a trilha. Dentro do parque, as únicas camas são as barracas nos acampamentos Boa Sorte e Sete Quedas. Comparamos as duas bases, com faixa de preço e perfil de cada uma, no guia de onde ficar na Chapada dos Veadeiros, e o mês certo para encaixar a viagem está em quando ir à Chapada dos Veadeiros.
Perguntas frequentes sobre a Travessia das Sete Quedas
Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.
Outras trilhas do nosso ranking
- Travessia dos Lençóis Maranhenses: de Atins a Santo Amaro, de 31 a 40 km a pé pelo campo de dunas, dormindo nas comunidades do parque.
- Monte Roraima: de 90 a 100 km de ida e volta até o platô do tepui, em 7 a 10 dias de trilha.
- Vale do Pati: de 40 a 68 km em 3 a 5 dias na Chapada Diamantina, dormindo em casas de moradores dentro do vale.
- Pico dos Marins: bate e volta de 12 a 14 km até os 2.420 m do cume, com um paredão de mãos e pés no caminho.
- Pico da Bandeira: cume a 2.892 m no Caparaó, em bate e volta ou com pernoite no Terreirão para subir de madrugada.
- Pico das Agulhas Negras: escalaminhada técnica até 2.791 m no Itatiaia, com trechos que pedem equipamento.
- Travessia Petrópolis-Teresópolis: cerca de 30 km em 3 dias pela Serra dos Órgãos, passando pela Pedra do Sino.
- Pedra do Baú: via ferrata até o topo da rocha, em 3 a 4 h de trilha e escalada.
- Volta à Ilha Grande: 76 km em 7 dias pela ficha oficial, com um trecho de barco entre o Aventureiro e a Parnaioca.
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