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Paredão de rocha de um tepui sobre a savana da Gran Sabana, com nuvens brancas e céu azul.

Guia Completo do Monte Roraima: O Que Fazer, Quando Ir e Quanto Custa

Paredão de tepui sobre a savana da Gran Sabana, sob céu azul.

Foto: Franz Kenzo / TripMundão

Tudo sobre o Monte Roraima: atrações no topo, custo real da expedição, rota pela Venezuela, melhor época e dicas de quem pesquisou a fundo.

Por Time TripMundão

O trekking mais icônico do Brasil não tem um metro de trilha acessível pelo lado brasileiro. O Monte Roraima, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, só pode ser escalado pela Venezuela, dentro do Parque Nacional Canaima, a partir de uma comunidade indígena chamada Paraitepuy. O tepui tem cerca de 2 bilhões de anos de idade. Existia antes das plantas, antes dos dinossauros, antes de tudo que você conhece como natureza. E para chegar lá, o roteiro mais comum tem 8 dias saindo e voltando de Boa Vista, 7 deles de caminhada, com dois países no caminho e um guia indígena obrigatório. É expedição de acampamento, não trilha de fim de semana.

O que fazer no Monte Roraima

O platô do Roraima tem cerca de 31 km² de superfície. É um mundo à parte, com formações rochosas esculpidas pela erosão de bilhões de anos, cristais de quartzo espalhados no solo, plantas carnívoras endêmicas e piscinas naturais com água que parece saída de outro planeta. No roteiro de 8 dias que recomendamos, são 90 km de caminhada em 7 dias de trilha, com três noites no topo. Roteiros de 9 dias ou mais acrescentam pontos como a Proa e a Catedral.

Mas nem tudo tem o mesmo peso. Algumas atrações são obrigatórias em qualquer roteiro. Outras exigem mais dias no topo e só estão em pacotes específicos. A diferença entre um roteiro de 7 dias e um de 10 dias não é só tempo: é o que você vai ver ou não ver lá em cima.

Atrações no topo do tepui

O topo do Monte Roraima é onde a expedição justifica cada centavo e cada dia de caminhada. As atrações são visitadas em dias alternados a partir do acampamento-base nos "hotéis" (formações rochosas que funcionam como abrigo natural). O guia indígena define o roteiro diário conforme condições climáticas.

#1Vale dos Cristais

Vale coberto por cristais de quartzo espalhados pelo solo preto do tepui, com formações pontiagudas em abismos e fendas. É o ponto mais simbólico e mais regulamentado do roteiro: a retirada de qualquer fragmento é crime ambiental com multa garantida. Há revista na saída em Paraitepuy. Fotografe à vontade, mas não leve nada.

ObrigatórioFotografiaRegulamentação rígida

#2Jacuzzis Naturais

Sequência de poços naturais com águas cristalinas de tons amarelados por sedimentos de quartzo. É o momento de descanso mais esperado da expedição. Mas 'descanso' é relativo: a temperatura da água fica entre 5 e 10°C. Leve roupa de banho e prepare o espírito. Geralmente visitados nos dias 5 ou 6 no topo.

Banho geladoObrigatórioFotogênico

#3La Ventana

Mirante mais conhecido do tepui, com vista da parede leste do Roraima, do Tepui Kukenan e da floresta da Guiana abaixo. É o cartão-postal clássico, mas totalmente dependente do clima. Neblina encobre a vista ao longo do dia com frequência.

MiranteSaia antes das 6hDependente do clima

Horário faz toda a diferença em La Ventana

Saia do acampamento antes das 6h, antes do café da manhã. A neblina costuma subir a partir das 8h e pode cobrir tudo por horas. Quem chega tarde raramente vê algo além de nuvens. Volte, tome café e aproveite o resto do dia sabendo que já garantiu a melhor vista da expedição.

O Ponto Tríplice Fronteira é o marco piramidal onde se está simultaneamente no Brasil, na Venezuela e na Guiana. É o único lugar do mundo com essa configuração geográfica entre três países. Fica no mesmo dia de caminhada que inclui o Vale dos Cristais e El Fosso, num circuito de aproximadamente 18 km. Leve almoço para o dia inteiro.

El Fosso é um dos pontos menos documentados em fotos nos blogs, mas consistentemente citado como um dos mais impressionantes por quem fez a expedição. É um buraco natural com quedas d'água que leva a uma caverna subterrânea com galerias e piscinas de água cristalina. A água é extremamente gelada. Para chegar às piscinas internas, é preciso descer pelas colunas das galerias. O esforço compensa: é um dos cenários mais fotogênicos de todo o roteiro.

O Pico Maverick, a 2.810 metros, é o ponto culminante do tepui, em território venezuelano. A caminhada adicional leva de 4 a 6 horas. Em dias limpos durante a estação seca, a vista alcança toda a savana da Gran Sabana abaixo. Para quem pergunta "qual é a altitude do Monte Roraima?": depende do lado. O ponto mais alto é o Maverick (2.810 m). O lado brasileiro atinge aproximadamente 2.734 m de proeminência topográfica, e o lado guianense cerca de 2.772 m.

Vale dos Cristais, formações de quartzo pontudas espalhadas pelo solo preto do tepui, sem pessoas na imagem para preservar escala

Vale dos Cristais, formações de quartzo pontudas espalhadas pelo solo preto do tepui, sem pessoas na imagem para preservar escala

Foto: Глеб Коровко / Pexels

O Lago Gladys fica próximo à Proa, a cerca de 3 horas de caminhada do acampamento. Não é indicado para banho, mas rende contemplação e fotografia de qualidade. O nome homenageia o lago citado em "O Mundo Perdido" de Arthur Conan Doyle, romance de 1912 inspirado diretamente no Monte Roraima. A conexão entre ficção e realidade é palpável ali.

A Proa é a extremidade norte do monte, em território guianense, e funciona como o "cartão-postal" do Roraima visto de cima. Exige cerca de 3 horas de caminhada adicional e está incluída apenas em roteiros de 9 dias ou mais. A maioria dos pacotes de 7 dias não chega à Proa. Se esse ponto é prioridade para você, exija explicitamente na contratação antes de fechar o pacote. Depois de assinar, é tarde.

A Proa exige roteiro específico

Roteiros padrão de 7 dias de trekking NÃO incluem a Proa nem a Catedral. Se esses pontos são importantes para você, pergunte à agência antes de fechar contrato. A diferença entre ver e não ver a Proa é a diferença entre 7 e 9+ dias no topo.

A Catedral (ou Salto Catedral) reúne formações rochosas altas com cascatas internas, labirintos, piscinas naturais e uma cachoeira dentro de gruta coberta de musgos. Agências como Pisa Trekking e Desviantes oferecem o "Circuito Místico Catedral" como roteiro diferenciado. Não faz parte de todos os pacotes básicos.

A Caverna dos Guacharos é uma gruta onde se experimenta escuro e silêncio absolutos. É o lar das aves guácharos. Faz parte da maioria dos roteiros de 7+ dias e aparece geralmente entre o dia 5 e o dia 7, dependendo da agência.

A fauna e a flora do topo são endêmicas. Plantas carnívoras (Heliamphora nutans), orquídeas, bromélias e o sapo preto Oreophrynella quelchii existem só ali. Duas bilhões de anos de isolamento geológico criaram um ecossistema que não se repete em lugar nenhum do planeta.

O que surpreende mais do que parece: El Fosso e as Jacuzzis Naturais raramente aparecem em fotos nos blogs, mas são os pontos que mais impactam quem foi. A sensação de descer num buraco natural até piscinas subterrâneas ou de mergulhar em água de 5°C coberta de cristais não se transmite bem em foto. Na prática, supera La Ventana para muita gente.

O que depende do tempo: La Ventana é o mirante mais falado, mas é refém da neblina. Em dias nublados, a caminhada de madrugada termina numa parede de nuvens. Frustrante, mas faz parte. O topo do Roraima cria seu próprio microclima.

La Rampa: a subida que muda o jogo

La Rampa é o único acesso ao topo do tepui. É a mesma rota usada na primeira ascensão registrada, em 18 de dezembro de 1884, por Everard im Thurn e Harry Perkins numa expedição britânica. O trecho é úmido, inclinado, com raízes expostas e troncos atravessando o caminho na floresta densa. É o dia mais curto em quilômetros de toda a expedição, mas o mais exigente fisicamente.

O momento mais marcante da subida é a travessia da cachoeira Passo das Lágrimas. A água cai sobre o caminho e você atravessa por dentro dela. Não é perigoso com guia, mas é intenso. Os rios Tek e Kukenan são atravessados nos dias anteriores à subida, com níveis de água variáveis conforme a época.

Gran Sabana: o cenário de chegada

Os primeiros dias de caminhada cruzam a Gran Sabana, uma savana venezuelana com mais de 15.000 km². Os tepuis ficam visíveis no horizonte desde o primeiro dia. O cenário é bonito, mas a condição é exigente de outra forma: sol intenso, calor forte, pouca sombra.

Contraste térmico radical

A Gran Sabana opera com sol forte e temperaturas acima de 30°C. No topo do tepui, a temperatura à noite pode chegar próximo de 0°C e de dia fica entre 10 e 20°C. Sua mochila precisa contemplar os dois extremos. Protetor solar e hidratação são mais urgentes no início da expedição. Agasalho para 0°C é mais urgente no final.

O Monte Roraima é perigoso? Depende do que você chama de perigoso. Os riscos reais e gerenciáveis são: hipotermia no topo à noite se não estiver preparado com roupa adequada, travessias de rio com correnteza na época chuvosa e tropeços na trilha de La Rampa. Com guia indígena (obrigatório), preparo físico adequado e equipamento correto, nenhum desses riscos é extremo. O trekking não exige experiência prévia em montanhismo técnico, mas condicionamento cardiovascular é necessário. Não é passeio.

O roteiro de 8 dias, dia a dia

É o roteiro da Saia da Zona para 2027, a agência de expedições do Franz Kenzo, do TripMundão. São 8 dias saindo e voltando de Boa Vista, 7 deles de caminhada, com 90 km no total, uma média de 13 km por dia. A altitude vai de 1.040 m, na savana, a 2.810 m, no Maverick. O nível é avançado, com técnica moderada e esforço físico difícil. São vários dias carregando a mochila cargueira, com subidas e descidas, e o roteiro pede alguma experiência prévia em trilha e acampamento.

Dia 1: Boa Vista, a fronteira e Santa Elena de Uairén

O encontro é em Boa Vista, às 11 h. O transfer passa em cada hospedagem ou no aeroporto e segue até Pacaraima, na fronteira, onde se faz a aduana. Do outro lado, o grupo vai até Santa Elena de Uairén, faz o check-in no hotel e organiza as mochilas cargueiras. O que não vai para a trilha fica guardado em Santa Elena. Jantar e noite na cidade.

Dia 2: de Paraitepuy ao Rio Tek (14 km, cerca de 4 h)

Um 4x4 leva o grupo em 2 h até a comunidade indígena de Paraitepuy, onde começa a caminhada. O terreno é tranquilo, entre floresta e savana, até o primeiro acampamento, na beira do Rio Tek. Jantar e primeira noite de barraca.

Dia 3: do Rio Tek ao acampamento-base (10 km, cerca de 8 h, 800 m de subida)

O dia atravessa o Rio Tek e o Rio Kukenan, com o Kukenan e o Roraima à vista o tempo todo. Almoço e jantar são no acampamento-base, aos pés do paredão.

Dia 4: a subida ao topo (8 km, de 5 a 6 h)

A subida é pela La Rampa, uma fenda natural na parede do tepui. Perto do topo fica o Paso de las Lágrimas, o trecho com uma cachoeira fina caindo sobre o caminho e o mais desafiador da subida. No platô, a caminhada segue até um dos "hotéis", as cavernas que servem de abrigo, onde o grupo janta e dorme nas três noites seguintes.

Dia 5: La Ventana, jacuzzis e Maverick (10 km)

De manhã o grupo vai a La Ventana, uma das vistas clássicas do Roraima, e depois às jacuzzis naturais, para um banho refrescante ou congelante. O almoço é no hotel. À tarde, a caminhada sobe ao Maverick, o ponto mais alto do tepui.

Dia 6: o Punto Triple e El Fosso (24 km)

É o dia mais longo do roteiro. A caminhada vai até o Punto Triple, o marco onde se encontram Brasil, Venezuela e Guiana, com parada em El Fosso para banho e almoço. A volta é para o hotel, para a terceira noite no topo.

Dia 7: a descida (18 km, cerca de 8 h)

O grupo levanta acampamento e desce do cume, com almoço no acampamento-base e chegada ao Rio Tek para a última noite de barraca. É o dia em que o grupo sente tudo o que viveu lá em cima.

Dia 8: volta a Boa Vista (14 km, cerca de 3 h)

O dia começa com o amanhecer no Rio Tek. A caminhada volta a Paraitepuy, o 4x4 leva a Santa Elena e o transfer cruza a fronteira de volta. A chegada em Boa Vista é prevista para as 20 h. Para comprar a passagem, chegue a Boa Vista até as 10 h do primeiro dia e marque a volta para depois das 22 h do último.

Quando ir para o Monte Roraima

A melhor época para a maioria é de novembro a março. É o período menos chuvoso, com trilhas mais secas, travessias de rio mais seguras e acampamentos mais confortáveis. A estação chuvosa vai de abril a setembro, com pico de intensidade entre maio e agosto.

O que muda na época chuvosa, com honestidade: a trilha fica lamacenta, os rios ficam mais caudalosos e as travessias mais complicadas. O topo do tepui pode ficar encoberto por nuvens por dias seguidos, prejudicando mirantes como La Ventana. As cachoeiras, por outro lado, ficam mais volumosas e espetaculares. La Rampa e o Passo das Lágrimas ganham intensidade dramática na chuva. E há menos turistas no topo, o que significa mais silêncio e mais "hotéis" disponíveis para escolher.

Se você não tem flexibilidade de datas e só pode ir entre abril e setembro, vá. A expedição vale em qualquer época. Mas saiba que as chances de neblina persistente no topo são maiores e o conforto nos acampamentos é menor.

A alta temporada do trekking concentra-se entre dezembro e fevereiro. As agências lotam nesse período. Reserve com 3 a 6 meses de antecedência se pretende ir nesses meses. quando ir para o Monte Roraima em detalhes

Uma fantasia comum: acreditar que ir na estação seca garante céu limpo. O tepui cria seu próprio microclima. Nuvens se formam ao redor do platô independentemente da estação, e até em novembro pode ter neblina por 2 dias seguidos. Planeje para chuva mesmo na seca.

O contraste de temperatura entre Boa Vista e o topo é brutal. Boa Vista opera em 30 a 35°C o ano todo. O topo do tepui pode chegar próximo de 0°C à noite e fica entre 10 e 20°C durante o dia. Sua bagagem precisa cobrir essa amplitude inteira.

Vista da Gran Sabana com um tepui de topo plano no horizonte sob céu de grandes nuvens

Vista da Gran Sabana com um tepui de topo plano no horizonte sob céu de grandes nuvens

Lucas Pezeta / Pexels

Valores climáticos baseados em múltiplas fontes de viajantes e guias especializados. Microclima no topo é imprevisível em qualquer época.

Como chegar no Monte Roraima

O Monte Roraima está no Parque Nacional do Monte Roraima pelo lado brasileiro (criado em 1989, 116.000 hectares, gerido pelo ICMBio) e no Parque Nacional Canaima pelo lado venezuelano. A distribuição territorial do tepui é 85% Venezuela, 10% Guiana e 5% Brasil. Toda a trilha de acesso é pelo lado venezuelano. Não existe rota de trekking pelo Brasil ou pela Guiana.

Entrar nessa expedição significa literalmente sair do país.

Fronteira sujeita a condições políticas

O acesso ao Monte Roraima depende da fronteira Brasil-Venezuela estar aberta. Durante a pandemia, a fronteira fechou e só reabriu em abril de 2022. Antes de comprar passagem aérea, verifique as condições atuais da fronteira. Agências brasileiras sérias mantêm política de reembolso ou remarcação em caso de fechamento.

A rota completa funciona assim:

1. Voo até Boa Vista (BVB). O Aeroporto Internacional de Boa Vista recebe voos diretos de Brasília, São Paulo e Manaus pelas companhias Azul, Gol e Latam. Muitas capitais regionais exigem conexão em Manaus ou Brasília.

2. Boa Vista até Pacaraima (fronteira). Cerca de 220 km pela BR-174, aproximadamente 3 horas de carro. Agências de trekking incluem esse transfer no pacote. Quem vai por conta própria pode pegar ônibus ou alugar carro.

3. Cruzamento da fronteira Pacaraima/Santa Elena de Uairén. Imigração brasileira e imigração venezuelana. Documentos necessários: RG com expedição de até 10 anos ou passaporte com validade superior a 6 meses. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Venezuela pelo lado terrestre. Nas travessias que o TripMundão acompanhou, a imigração venezuelana pediu só o RG e não cobrou certificado de febre amarela. Isso é o que aconteceu, não uma garantia: a vacina segue recomendada para a região e o certificado pode ser pedido.

4. Santa Elena de Uairén (pernoite). Cidade-base venezuelana, a cerca de 220 km de Boa Vista. Pernoite obrigatório antes do início do trekking. As taxas pagas na hora podem ser quitadas em real ou em dólar. Reais são aceitos em muitos estabelecimentos, e câmbio para bolívares só costuma valer a pena para despesas avulsas.

5. Santa Elena até Paraitepuy (início da trilha). Aproximadamente 90 a 100 km por estrada de piçarra, cerca de 2 horas em veículo 4x4. São Francisco de Yuruani é parada obrigatória no percurso para retirada de autorização do INPARQUES.

Quem vai com pacote completo de agência brasileira tem toda essa logística incluída: transfer, fronteira, 4x4 e autorizações. Zero burocracia. Quem monta a expedição por conta própria precisa resolver cada etapa individualmente.

Documentação e regras de fronteira podem mudar. Dados mais recentes verificados: fev/2024 (EntreParquesBR). Confirme condições vigentes antes de viajar.

Onde ficar no Monte Roraima

A pergunta "onde ficar" no contexto do Roraima tem três respostas distintas: a cidade antes do trekking, a base venezuelana e os acampamentos na trilha. Nenhuma delas envolve resort ou pousada charmosa. Calibre as expectativas.

Boa Vista: antes e depois do trekking

Boa Vista é a única cidade com infraestrutura completa de hotel, restaurantes, farmácias e lojas de equipamento. A maioria das agências inclui 2 noites na cidade no pacote (1 na chegada, 1 na volta). O aeroporto BVB fica perto do centro.

Duas regiões fazem sentido. O Centro otimiza deslocamentos: proximidade com aeroporto, lojas de suprimentos de última hora e restaurantes regionais. A Orla Taumanan, na margem do Rio Branco, tem mais charme e acesso ao FlutuaíBv (restaurante flutuante) e passeios de barco ao pôr do sol.

Se a prioridade é logística pré-trekking, fique no Centro. Se quer aproveitar os dias de volta com calma, a Orla tem mais a oferecer.

Orla à beira do rio ao entardecer com um barco na água e céu dourado, evocando a Orla Taumanan sobre o Rio Branco

Orla à beira do rio ao entardecer com um barco na água e céu dourado, evocando a Orla Taumanan sobre o Rio Branco

Wallace Silva / Pexels

Santa Elena de Uairén: a base venezuelana

Santa Elena é cidade funcional, não turística. Hotéis simples, sem albergues no estilo hostel. O pernoite é obrigatório antes do início do trekking. As principais atividades na cidade são câmbio de moeda e organização final da documentação. Reais são aceitos em muitos comércios, mas convém ter bolívares para despesas menores.

Não espere charme nem infraestrutura elaborada. É uma parada operacional.

Acampamentos na trilha

São três pontos principais de acampamento: Rio Tek (primeiros dias), Rio Kukenan/Base (pré-subida) e os "hotéis" no topo.

Os "hotéis" são formações rochosas naturais que funcionam como abrigo contra vento e chuva no platô. São o único local indicado para acampamento no topo, tanto por segurança quanto por regulamentação. Não há luz elétrica, não há chuveiro quente. Banho nos rios, com temperatura que cai progressivamente conforme se sobe de altitude.

Comparativo dos pontos de hospedagem na expedição

Boa Vista (hotel)Santa Elena (hotel)Acampamentos na trilha
ConfortoAltoBásicoMínimo
Banho quenteSimSimNão (rio gelado)
EletricidadeSimSimNão
RefeiçõesRestaurantes variadosRestaurantes simplesCozinheiro da expedição
FunçãoBase logísticaPernoite pré-trekkingAbrigo durante expedição

Em pacotes completos de agência, as barracas são fornecidas e os carregadores chegam primeiro para montar tudo. As refeições são preparadas por cozinheiros dedicados. Não é glamping, mas também não é survival extremo. As barracas são decentes, a comida é farta (confirmado em múltiplas fontes), e o banheiro é uma tenda portátil com privacidade. Quem aceita essas condições sem drama aproveita mais.

Onde comer no Monte Roraima

Nenhum guia de trekking do Roraima integra bem a gastronomia local. O viajante passa pelo menos 2 dias em Boa Vista e não faz ideia de que a cidade tem uma das culinárias regionais mais distintas do Brasil. O Tripmundão corrige isso.

Gastronomia em Boa Vista

O prato símbolo de Roraima é a damurida. É um ensopado quente de peixe (ou caça) com pimentas variadas, tucupi negro, cariru (beldroega-graúda) e beiju de mandioca. A origem é indígena, dos povos Macuxi, Wapichana e Ingarikó. Nas comunidades, o ardor da pimenta carrega significado cosmológico de proteção espiritual. As versões urbanas em Boa Vista incluem cebola, alho e tomate, mas mantêm o caráter. Consulte localmente para encontrar restaurantes que sirvam damurida, já que a oferta varia por temporada.

O tucupi preto roraimense é diferente do tucupi paraense. Enquanto o paraense é amarelo e ácido, o roraimense é escuro e suave, produzido principalmente pelos Wapichana. É a base da damurida e, mais recentemente, de sobremesas como bolos, pudins e sorvetes desenvolvidos pelo Projeto Tucupi Preto da Rede Wakywaa. Esse é um ingrediente que você não encontra em nenhum outro estado.

O Peixe à Delícia é outro prato emblemático: filé de dourado grelhado ao molho branco, gratinado com queijo, servido com banana à milanesa, arroz e farofa de banana. O Restaurante Riu (Rua Floriano Peixoto, Centro) e o Recanto da Peixada (Av. Major Wiliams, Centro) são referências para esse prato.

Ensopado regional servido em tigela de barro com bastões de mandioca/beiju ao lado, em mesa de restaurante

Ensopado regional servido em tigela de barro com bastões de mandioca/beiju ao lado, em mesa de restaurante

Aleson Padilha / Pexels

O Mercado Municipal São Francisco (Av. Major Wiliams, Centro) reúne 9 restaurantes e é o lugar certo para o café da manhã do dia de partida: tapiocas, mungunzá, bolo de macaxeira e paçoca de carne de sol com banana. Funciona diariamente das 6h às 18h.

O FlutuaíBv é o primeiro restaurante flutuante de Boa Vista, no Rio Branco. Funciona de quarta a domingo, das 11h às 22h. Nos fins de semana há passeio de barco ao pôr do sol. É a melhor pedida para a noite de chegada em Boa Vista: jantar no rio, pôr do sol e SUP disponível. Uma forma de começar a expedição com leveza antes da intensidade dos dias seguintes.

Barco navegando em rio largo ao entardecer sob céu alaranjado, evocando o Rio Branco no fim de tarde

Barco navegando em rio largo ao entardecer sob céu alaranjado, evocando o Rio Branco no fim de tarde

Maksim Darling / Pexels

O Recanto da Peixada é especializado em peixes amazônicos: tambaqui, pirarucu, dourado, bodó. Caldeirada, molho de camarão, peixe à milanesa. Funciona para almoço e jantar diariamente.

A Plataforma 8 é um food park com opções mais casuais. O Barracão do Poeta serve café da manhã com cuscuz, ovo e queijo coalho. A cervejaria Rhopalurus fica no mesmo espaço.

A influência venezuelana já aparece nos mercados de Boa Vista: arepas e pepito estão presentes e conectam culturalmente com a rota da expedição que você está prestes a fazer. mais sobre onde comer em Boa Vista

Alimentação durante a expedição

Em todos os pacotes de agência, a equipe inclui cozinheiros. Café da manhã, almoço e jantar são preparados diariamente nos acampamentos. Nenhuma fonte relata escassez de comida na trilha. Pelo contrário: as refeições são descritas como fartas. Feijoada já foi servida em acampamento no topo do tepui.

Opções para vegetarianos, veganos e restrições alimentares estão disponíveis, mas precisam ser comunicadas à agência com antecedência. Não deixe para avisar no dia.

A água durante a expedição é captada diretamente dos rios e riachos da montanha. Nos acampamentos do topo, recomenda-se usar purificador ou pastilhas de hidroesteril como precaução adicional.

Preços de restaurantes baseados em fontes de 2022. Confirme valores atualizados antes de visitar. Verifique horários de funcionamento diretamente com os estabelecimentos.

Quanto custa uma viagem para o Monte Roraima

O Monte Roraima é uma das expedições mais caras do Brasil, e a maior parte do custo vai para a comunidade pemón de Paraitepuy: guias, carregadores, cozinheiros, motoristas. Um grupo de 14 turistas movimenta 55 pessoas envolvidas diretamente na expedição. O preço muda bastante de agência para agência, conforme os dias no topo e o que entra no pacote, então compare item por item antes de fechar.

O que entra num pacote completo

No roteiro de 8 dias que recomendamos, entram:

  • Líder de expedição e guias nativos certificados.
  • Transporte de Boa Vista a Santa Elena e de Santa Elena a Paraitepuy, ida e volta.
  • A primeira noite de hotel em Santa Elena.
  • Carregadores para as barracas e a comida, cozinheiro e banheiro ecológico.
  • Barraca compartilhada, para 2 pessoas.
  • Café, almoço e jantar durante toda a trilha, com cardápio adaptado a restrições e alergias, e o almoço do último dia num restaurante em San Francisco de Yuruaní.
  • Kit de primeiros socorros e assessoria de equipamento antes da viagem.

O que costuma ficar de fora

  • A passagem até Boa Vista e a hospedagem na cidade.
  • O almoço do primeiro dia e o jantar do último, em Boa Vista.
  • A taxa de entrada no parque.
  • Carregador pessoal e barraca individual, que se contratam à parte.
  • Seguro viagem internacional com cobertura na Venezuela. Confira a apólice, porque alguns seguros excluem o país.
  • Evacuação médica.
  • Gorjetas para guias e carregadores, que são prática esperada no fim da expedição.

Com agência brasileira ou com guia em Santa Elena

Contratar um guia direto em Santa Elena de Uairén sai mais barato, mas cada etapa fica por sua conta: transfer, fronteira, câmbio, autorizações, carregadores e comida, quase sempre em espanhol. As agências brasileiras contratam os mesmos guias pemón e cobram pela logística, pelo suporte em português e pela segurança operacional. As duas opções são legítimas. Antes de fechar com qualquer uma, pergunte quantas noites o roteiro passa no topo, quais pontos ele inclui e quantas pessoas vão por guia. O resto da conta da viagem está no nosso guia de quanto custa o Monte Roraima.

Se preferir ir em grupo organizado, fale com a Saia da Zona, agência de expedições criada pelo Franz Kenzo, do TripMundão, que a gente recomenda de olhos fechados. É dela o roteiro de 8 dias desta página, feito com uma agência local de Paraitepuy e guias pemón. Vale chamar a Saia da Zona no WhatsApp para ver as próximas datas.

Dicas práticas para o Monte Roraima

O que levar na mochila

Tudo aqui é específico para as condições do Roraima. Não confunda com lista genérica de trekking.

Roupa impermeável: chuva é quase garantida em algum momento, independente da época. Agasalho para 0°C: o contraste com os 35°C de Boa Vista é radical. Botina de trekking com boa aderência em pedra molhada, não tênis de corrida. Somente produtos biodegradáveis: sabonete, shampoo e protetor solar que não agridam os rios. É obrigatório por lei no Parque Nacional Canaima, não sugestão. Purificador de água ou pastilhas de hidroesteril para os acampamentos do topo. Na trilha, conte de 2 a 3 litros por pessoa por dia, inclusive no primeiro dia, que cruza a savana até o acampamento do Rio Tek. Roupa de banho para as Jacuzzis e El Fosso.

Meias de algodão extras para travessias de rio são uma prática de campo relatada por viajantes: oferecem aderência nas pedras molhadas. Não é consenso universal, mas quem usou recomenda.

Checklist do Franz para o roteiro de 8 dias

É a lista que o Franz recomenda para o roteiro de 8 dias, com barraca e acampamento itinerante.

Indispensável

  • Saco de dormir para 5 °C ou menos.
  • Isolante térmico inflável.
  • Mochila cargueira de 40 a 60 L, com capa de chuva.
  • Bota de trekking.
  • Lanterna de cabeça.
  • Protetor solar, repelente e boné ou chapéu.

Roupa

  • 4 camisetas, de preferência de manga comprida com proteção UV.
  • 2 calças de trekking ou legging.
  • Meias de caminhada.
  • Blusa ou casaco de fleece.
  • Jaqueta impermeável do tipo anorak.
  • Roupa de banho, para as jacuzzis e El Fosso.

Também importa

  • Mochila de ataque de 10 a 20 L, para os dias no topo.
  • Bastão de caminhada (opcional).
  • Água: de 1 a 2 L na mochila, reabastecendo nos rios com o guia.
  • Lanches para comer durante a trilha.
  • Kit de higiene pessoal, só com produtos biodegradáveis.
  • Óculos de sol.

Saco de dormir e bastão de caminhada podem ser alugados em Boa Vista. A barraca, para 2 pessoas, vem no pacote, e os carregadores levam as barracas e a comida; quem quiser barraca individual ou um carregador só para a própria mochila contrata à parte.

Documentação e autorizações

Checklist antes de sair de casa: RG com expedição de até 10 anos ou passaporte com validade superior a 6 meses. O RG tem bastado na fronteira. Vacina de febre amarela: a imigração não a tem cobrado, mas ela segue recomendada para a região, e o certificado pode ser pedido.

Autorizações: agência vs. conta própria

Quem vai com agência brasileira não precisa se preocupar com autorizações. Está tudo incluído. Quem monta a expedição por conta própria precisa obter autorizações do ICMBio (Brasil) e do INPARQUES (Venezuela). Os dados de contato disponíveis são de 2017 e provavelmente mudaram. Consulte diretamente os órgãos antes de viajar.

Banheiro na trilha

A principal dúvida de quem nunca fez trekking longo: como funciona o banheiro durante uma semana de trilha? O carregador de banheiro é obrigatório por regulamentação do parque. Ele transporta uma tenda-banheiro portátil e os dejetos são tratados com cal. Tudo retorna até Santa Elena para descarte adequado. Uma expedição de 14 turistas desce aproximadamente 60 kg de lixo e 48 kg de fezes. É privado e funcional. Não é "fazer no mato" para sólidos.

Preparo físico

O trekking é classificado como moderado com trechos de alta exigência, especialmente La Rampa. Inicie condicionamento 3 a 4 meses antes com caminhadas em terreno irregular e com desnível. Não exige experiência prévia em montanhismo técnico, mas condicionamento cardiovascular é real.

Proibições com multa

Retirada de cristais ou qualquer material natural: multa. Uso de produtos não biodegradáveis: proibido. Todo lixo e dejeto deve retornar com a expedição. Não é orientação, é regulamentação com fiscalização.

Comunicação

Celular sem sinal durante a maior parte da trilha. Avise seus contatos sobre ausência de comunicação durante toda a trilha antes de partir. Algumas expedições incluem comunicação por satélite, mas confirme na contratação.

Seguro viagem é essencial para expedição internacional com risco físico real. Verifique se a cobertura inclui Venezuela, já que alguns seguros excluem o país. detalhes sobre as trilhas do Monte Roraima

Pessoa na borda do tepui com névoa baixa sobre a paisagem ao fundo e paredões emergindo das nuvens, dando escala ao mirante

Pessoa na borda do tepui com névoa baixa sobre a paisagem ao fundo e paredões emergindo das nuvens, dando escala ao mirante

Quang Nguyen Vinh / Pexels

Perguntas frequentes sobre o Monte Roraima

Voltando diferente

O Monte Roraima não é uma trilha que você faz. É uma expedição que faz algo com você. São 8 dias adaptando seu ritmo ao ritmo da montanha, dos guias Pemón e da Venezuela. Quem resiste a isso passa a viagem inteira reclamando. Quem aceita, volta com algo que não se compra em nenhuma loja de equipamento.

O paradoxo permanece: a expedição mais brasileira do Brasil começa e termina aqui, mas não passa um metro por território brasileiro. E talvez seja exatamente por isso que ela muda tanto quem vai.

Se o próximo passo é planejar, comece comparando agências e definindo a época. roteiro completo para o Monte Roraima é o caminho natural a partir daqui.

Categorias: Monte Roraima

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