Road Trip Monte Roraima: Guia Prático 2026
Road trip até o Monte Roraima: ~320 km em 2 dias, de Boa Vista à fronteira venezuelana. Condições de estrada, 4x4 obrigatório e onde abastecer.
O Monte Roraima aparece pelo para-brisa muito antes de qualquer trilha. A Gran Sabana se abre à frente, savana venezuelana plana em todas as direções, e de repente aquele bloco de rocha de dois bilhões de anos domina o horizonte. Para chegar até esse ponto, você já terá cruzado uma fronteira internacional, passado pela imigração venezuelana e percorrido cerca de 100 km de piçarra em 4x4. O deslocamento não é logística. É o primeiro ato da expedição.
Visão geral da rota
A road trip até o Monte Roraima cobre aproximadamente 320 km one-way em 2 dias, saindo de Boa Vista (RR), cruzando a fronteira em Pacaraima, passando por Santa Elena de Uairén (Venezuela) e chegando a Paraitepuy, comunidade indígena Pemón e único ponto legal de início do trekking. De Paraitepuy, a trilha no lado venezuelano cobre entre 90 e 120 km em 7 a 10 dias de caminhada.
O monte fica na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa. No lado brasileiro, o Parque Nacional do Monte Roraima (116.000 hectares, gerido pelo ICMBio) protege uma faixa da formação. O acesso ao trekking, porém, é feito pelo lado venezuelano, dentro do Parque Nacional Canaima. Toda expedição ao Roraima passa obrigatoriamente pela fronteira.
Waypoints em ordem: Boa Vista (BR) → Pacaraima (BR, fronteira) → Santa Elena de Uairén (VEN) → São Francisco de Yuruani (VEN) → Paraitepuy (VEN)
Tipo de carro: sedan ou SUV ok até Santa Elena. A partir daí, sem exceção, 4x4 obrigatório. Os 90-100 km finais são de piçarra e terra batida. Sedan não chega.
Rota one-way sem alternativa. Não existe outra via de acesso ao trekking.
Época: expedições operam principalmente de novembro a março, o período seco. Na época chuvosa (abril a setembro), o trecho de piçarra pode ficar intransitável por dias inteiros após chuvas fortes.
Melhor época para ir: novembro a março garante condições de estrada mais previsíveis e clima mais favorável no topo, onde a temperatura noturna pode chegar próximo de 0°C mesmo na seca.
Dia a dia do roteiro
Dia 1: Boa Vista → Santa Elena de Uairén (~220 km)
Tempo de estrada: ~3h (sem tempo de fronteira) Estrada: BR-174 pavimentada, asfalto Carro: sedan ok
O primeiro dia é o mais tranquilo. A BR-174 sai de Boa Vista em direção ao norte por asfalto em boas condições segundo relatos recentes de viajantes. A savana roraimense acompanha toda a extensão do trecho, plana e aberta, com formações tepui começando a surgir no horizonte antes mesmo de cruzar a fronteira. Saia cedo. Expedições costumam partir de Boa Vista por volta das 10h para ter margem razoável no cruzamento da fronteira.
Boa Vista → Pacaraima: ~215 km, cerca de 2h30 de estrada. Trecho tranquilo, sedan e SUV sem nenhuma restrição. A BR-174 não tem pedágios. Abasteça em Boa Vista antes de sair: combustível no Brasil é pago em reais e mais previsível. É a sua última chance com preços brasileiros.
Parada em Pacaraima: ICMBio (obrigatória). O Parque Nacional do Monte Roraima, no lado brasileiro, exige autorização retirada na sede do ICMBio em Pacaraima (Av. Pan Americano S/N, BV-8). Quem viaja com agência não precisa se preocupar com essa etapa: está incluída no pacote. Quem vai por conta própria precisa confirmar os horários de atendimento diretamente com o ICMBio antes de partir, já que os contatos disponíveis em fontes antigas podem estar desatualizados.
Pacaraima → Santa Elena de Uairén: ~15 km entre as duas cidades. O cruzamento da fronteira é sinalizado, a estrada é asfaltada. O tempo é gasto na imigração venezuelana, não no asfalto: o processo leva de 30 minutos a mais de 2 horas dependendo do movimento no dia. Documente bem a previsão de tempo para não chegar em Santa Elena no anoitecer. Documentos necessários: RG com expedição até 10 anos ou passaporte com validade superior a 6 meses. As regras mudaram após a pandemia e podem mudar novamente. Confirme com sua agência nas semanas anteriores à viagem.
Fronteira: confirme antes de viajar
Condições da fronteira Brasil-Venezuela podem mudar sem aviso — restrições de entrada, exigência de passaporte, suspensão temporária do cruzamento. Verifique com sua agência nas semanas anteriores à viagem. Sem cruzamento possível, não há trekking.
Chegada em Santa Elena de Uairén. A cidade tem infraestrutura sólida para a parada: mercearias, padarias, câmbio informal (a referência histórica de câmbio na cidade é o cruzamento conhecido como Quatro Esquinas) e restaurantes com influência venezuelana e brasileira. Arepas frescas estão disponíveis, e Pix de contas brasileiras funciona em vários estabelecimentos, o que facilita a vida sem precisar operar câmbio para tudo. Jante, descanse. É sua última noite em cama antes de 7 a 10 dias de trilha.
Dica do Dia 1: abasteça em Boa Vista ou, no máximo, em Pacaraima antes de cruzar. Combustível na Venezuela pode ser escasso ou pago em condições diferentes, e o câmbio em bolívares é instável. Não dependa de posto entre Santa Elena e Paraitepuy.
Dia 2: Santa Elena de Uairén → Paraitepuy (~90-100 km)
Tempo de estrada: ~2h Estrada: piçarra e terra batida, irregular Carro: 4x4 obrigatório
O Dia 2 é curto em quilometragem e exigente em atenção. Saia cedo de Santa Elena, agências costumam partir por volta das 10h. Antes de deixar a cidade: último abastecimento, última compra de mantimentos. Não existe posto confiável no caminho daqui para frente.
Santa Elena → São Francisco de Yuruani: ~60 km. As condições desse trecho variam por época do ano e podem incluir trechos de piçarra. SUV ou 4x4 recomendado. Confirme as condições com a agência antes de sair de Santa Elena.
Parada em São Francisco de Yuruani: INPARQUES (obrigatória). O escritório do INPARQUES, o Instituto Nacional de Parques da Venezuela, é onde se retira a autorização para entrar no Parque Nacional Canaima. O motorista da expedição já conhece a parada. Quem vai por conta própria precisa enviar os dados do grupo com antecedência. A comunidade tem artesanato local à venda enquanto você aguarda. Os primeiros tepuis já aparecem próximos daqui, e dependendo da visibilidade, o Roraima começa a aparecer no horizonte.
São Francisco de Yuruani → Paraitepuy: ~40-50 km de piçarra. Este é o trecho que elimina sedans. A estrada não tem sinalização e seu traçado muda conforme as chuvas, o que significa que GPS convencional não é referência confiável. Siga o veículo da expedição ou o guia local. Não tente o trecho sozinho sem conhecer a rota.
Gran Sabana ao longo de todo o Dia 2. A savana venezuelana tem mais de 15.000 km². Os tepuis surgem progressivamente. O Monte Roraima, que atinge 2.810 m no Pico Maverick em território venezuelano, se torna visível de forma inequívoca a partir de cerca de 30 a 40 km antes de Paraitepuy. Pare o carro. Tire foto. Aquele primeiro contato visual pelo para-brisa é o que nenhum aeroporto entrega.
Chegada em Paraitepuy. A comunidade Pemón é o único ponto de início legal do trekking. Guia indígena credenciado é obrigatório por lei venezuelana: impossível fazer o Roraima por conta própria. Na chegada, apresentação ao guia, última refeição com conforto, cama cedo. O trekking começa amanhã.
Dica do Dia 2: não tente planejar o trecho de piçarra por GPS. A estrada muda com a chuva, não tem sinalização e não aparece com precisão nos aplicativos convencionais. A instrução é simples: siga o veículo da expedição.
Condições do trecho Santa Elena-Paraitepuy variam conforme a época do ano. Confirme com a agência antes da viagem.
Condições das estradas
BR-174 (Boa Vista → Pacaraima, ~215 km) Asfalto pavimentado, condições geralmente boas segundo relatos recentes de viajantes. Sedan e SUV sem restrições. Estrada reta pela savana de Roraima, sem pedágios no trecho brasileiro. Gado solto é registrado à noite nesse trecho: reduza a velocidade ao entardecer.
Pacaraima → Santa Elena (~15 km) Asfalto, passagem sinalizada. O tempo é gasto na imigração, não no asfalto.
Santa Elena → São Francisco de Yuruani (~60 km) Trecho com potencial de piçarra dependendo da época e das chuvas recentes. SUV ou 4x4 recomendado. Confirme as condições com a agência antes de sair.
São Francisco de Yuruani → Paraitepuy (~40-50 km): trecho crítico Piçarra e terra batida. 4x4 obrigatório, sem exceção. Na época chuvosa, pode ficar completamente intransitável por horas ou dias após chuvas fortes. Expedições que operam de novembro a março têm condições significativamente mais estáveis, mas nunca garantidas.
Gap de combustível: crítico Abasteça em Boa Vista (preços em reais). Opção de reforço: Pacaraima, ainda no lado brasileiro. Reabasteça em Santa Elena antes de sair para Paraitepuy. Após Santa Elena, sem postos confiáveis no caminho ao trekking.
Pedágios: BR-174 sem pedágios, confirmado por relatos de viajantes. Lado venezuelano: confirmar com a agência, pagamento pode exigir bolívares.
Dirigir à noite: evitar especialmente o trecho Santa Elena para Paraitepuy após o anoitecer. Estrada sem iluminação, gado solto, zero sinal de celular, sem assistência rodoviária. O trecho da BR-174 também tem risco de animais à noite.
Sinal de celular: diminui após Pacaraima e chega a zero na Venezuela. Operadoras brasileiras não funcionam no lado venezuelano. Confirme com a agência se o veículo da expedição tem comunicação de emergência por satélite.
Onde parar pelo caminho
BR-174 antes de Pacaraima A savana roraimense exibe formações tepui visíveis ao longe antes mesmo de cruzar a fronteira. Não há mirante sinalizado, mas qualquer trecho elevado à beira da BR-174 oferece vista panorâmica da planície. Pare quando a vontade chegar: a paisagem justifica.
Santa Elena de Uairén Não é destino turístico, mas tem o que você precisa: mercearias, padarias, câmbio informal nos Quatro Esquinas, restaurantes com influência venezuelana e brasileira, e arepas frescas. Pix de contas brasileiras funciona em vários estabelecimentos. Aproveite para comprar qualquer mantimento que faltou na lista antes de partir para a trilha.
São Francisco de Yuruani Parada obrigatória para o INPARQUES. A comunidade tem artesanato local à venda enquanto a burocracia é resolvida. Os primeiros tepuis já aparecem com clareza a partir daqui. Para grupos com linha de visão aberta, o Roraima já começa a aparecer dependendo do clima.
O avistamento do Roraima pela estrada A cerca de 30 a 40 km de Paraitepuy, o monte começa a dominar o horizonte. Aquele momento é o divisor entre "estou indo para o Roraima" e "o Roraima já chegou". Pare o carro e deixe o para-brisa enquadrar a cena.
Logística de gasolina no caminho, resumida: Boa Vista, reforço opcional em Pacaraima, último abastecimento obrigatório em Santa Elena. Depois disso, siga sem depender de posto.
Aluguel de carro e custos
Se você vai em pacote de agência (a maioria dos casos) O transporte terrestre está 100% incluído. A agência ou sua parceira venezuelana leva o grupo de Boa Vista a Paraitepuy em van ou 4x4 próprio. Você não precisa alugar carro, não precisa se preocupar com o trecho de piçarra, e o motorista já conhece cada parada obrigatória. O valor de referência para expedições de 10 dias ficou entre R$8.300 e R$8.450 em maio de 2026, com transporte incluso.
Se você vai por conta própria De Boa Vista a Santa Elena, alugar SUV no aeroporto BVB é viável. Ônibus de linha e vans compartilhadas existem para esse trecho, mas valores atuais precisam ser confirmados com agências locais de Boa Vista, pois os dados disponíveis na pesquisa estão desatualizados.
De Santa Elena a Paraitepuy: carro alugado convencional não resolve. Contrate transfer local em 4x4 com guia ou agência venezuelana. Não tente esse trecho com carro alugado comum sem conhecer a rota.
Pule isso: não alugue carro por conta própria para o trecho de piçarra sem conhecer a rota. A estrada muda com as chuvas, não tem sinalização, e GPS convencional não ajuda. O transfer com motorista local ou o pacote com transporte incluso resolve com zero risco operacional.
Combustível, estimativa da BR-174: um SUV médio consome cerca de 20 a 25 litros para os ~215 km da BR-174. Consulte os preços de gasolina em Boa Vista antes de sair. Na Venezuela, o combustível pode ser mais barato, mas o câmbio em bolívares é instável: abasteça no Brasil.
Pedágios: zero na BR-174. Lado venezuelano, confirmar com agência.
Para detalhes completos sobre os custos da expedição, veja quanto custa a expedição ao Monte Roraima.
Valores aproximados. Confirme antes de reservar.
Dicas de segurança na estrada
Não dirija à noite no trecho venezuelano. Sem iluminação, com gado solto frequente, zero cobertura de celular e sem assistência rodoviária brasileira operacional além da fronteira. Nenhuma agência que opera essa rota recomenda o trajeto após o anoitecer.
Gado na pista. Tanto na BR-174 quanto nas estradas venezuelanas. Reduza a velocidade ao entardecer e redobre a atenção após Santa Elena.
Celular e comunicação. Após Pacaraima, sinal progressivamente zero. Na Venezuela, operadoras brasileiras não funcionam. Agências equipam os veículos com comunicação de emergência por satélite: confirme se está incluído no pacote contratado antes de assinar.
Documentação durante toda a rota. RG ou passaporte válido para abordagens policiais no Brasil e na Venezuela. Cópias físicas das autorizações ICMBio e INPARQUES, não só na chegada em Paraitepuy, mas durante o trekking inteiro.
Risco político real. A situação política venezuelana pode afetar o cruzamento da fronteira com pouco aviso. Agências que operam regularmente essa rota monitoram as condições e comunicam os clientes com antecedência. Verifique as condições nas semanas anteriores à viagem: sem cruzamento possível, não há trekking.
Fadiga. O Dia 1 inclui cerca de 2h30 de BR-174 mais o tempo de fronteira, que pode variar de 30 minutos a mais de 2 horas conforme o movimento. O Dia 2 são cerca de 2h de piçarra com atenção redobrada. Agências fazem o trajeto com motoristas próprios: o viajante observa a savana pela janela.
Pane no trecho venezuelano: coberturas de assistência rodoviária brasileira não funcionam além da fronteira. Em caso de problema mecânico após Santa Elena, o canal é o guia ou a agência, que têm contatos locais para apoio.
Para a logística completa da expedição a partir de Paraitepuy — equipamentos, guias, acampamentos e o trekking em si — confira o guia completo do Monte Roraima.
Perguntas frequentes sobre a road trip ao Monte Roraima
A estrada já é o Roraima
Quem pega um avião direto começa a trilha sem contexto. Quem percorre os ~320 km de Boa Vista a Paraitepuy chega ao ponto de partida já dentro do ritmo da expedição, com a savana impressa nos olhos e o tepui visto pelo para-brisa antes de qualquer passo na trilha. Em pacote de agência, toda essa logística está resolvida: você entra na van em Boa Vista e sai em Paraitepuy. O único trabalho é olhar pela janela.
Para planejar quando ir ao Monte Roraima, o que fazer no topo, e tudo que vai na mochila para os 7 a 10 dias de trekking, os outros guias do destino cobrem cada detalhe.
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