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Baía de água turquesa com quatro barcos de pesca, faixa de areia branca e mata atlântica ao fundo, vista do alto da praia do Aventureiro

Volta à Ilha Grande: 76 km de trilha, e um trecho de barco, em 7 dias

A baía do Aventureiro vista do alto, na Ilha Grande (RJ)

Foto: TMbux / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Volta à Ilha Grande tem 76 km em 7 dias e um trecho de barco: a ordem das vilas, guia, custos, o Pico do Papagaio e quando ir.

Por Time TripMundão

Desde maio de 2025, a Volta à Ilha Grande é trilha oficial do programa federal Trilhas do Brasil, e mesmo assim a volta não fecha a pé. Entre o Aventureiro e a Parnaioca fica a Reserva Biológica da Praia do Sul, que não se atravessa caminhando, e as operadoras fazem esse pedaço de barco. A ficha oficial conta 76 km, divididos em 18 trechos, para 7 dias. No roteiro das operadoras, a volta sai da Vila do Abraão e termina nela.

A Volta é para quem aguenta dias seguidos de sobe e desce em mata atlântica, com raiz, barro e riacho, sem nenhum carro na ilha para encurtar o dia. Não pede técnica de montanha: pede perna e paciência com logística de barco, autorização e pousada em vila pequena. Não é para quem quer cada etapa medida e sinalizada, porque a ficha oficial não lista os trechos e há saída mal marcada no caminho. Nem para quem só pode ir no verão, quando a chuva deixa a trilha escorregadia.

Ficha técnica da Volta à Ilha Grande

O que sabemosFonte
StatusTrilha Regional do programa Trilhas do Brasil, pela Portaria GM/MMA nº 1.388. Liga o Parque Estadual da Ilha Grande, a APA de Tamoios, a RDS do Aventureiro e a Reserva Biológica Estadual da Praia do SulFicha oficial da trilha, mai/2025
Distância76 km em 18 trechos. A ficha não lista os trechos nem os km de cada umFicha oficial, mai/2025
Dias7 dias, no roteiro oficial e no de operadoraFicha oficial, mai/2025; operadora de trekking, página sem data
Trecho de barcoDo Aventureiro à Parnaioca, porque a reserva biológica não pode ser atravessada a pé. A ficha oficial inclui o modal marítimo na trilhaOperadora de trekking, sem data; ficha oficial, mai/2025
DificuldadeDifícil: mata atlântica com raiz, barro e riachos, sinal de celular fraco e nenhuma estrada para evacuaçãoNosso guia de trilhas da Ilha Grande, jul/2026
Altitude e desnívelNão publicamos número: não achamos altimetria da volta em fonte oficialLevantamento TripMundão, out/2026
Melhor épocaJunho a setembro, com o terreno mais firme; no verão a trilha escorrega. Não há fonte oficial de épocaNosso guia de trilhas, jul/2026
GuiaNão achamos regra do INEA que obrigue guia nas trilhas comuns. Para o Pico do Papagaio, o INEA recomendou guia "fortemente" em 2020INEA, citado pela imprensa, ago/2020
Taxa e campingNenhuma fonte do INEA que abrimos cita ingresso nas trilhas da volta nem preço de campingLevantamento TripMundão, out/2026
Ponto de partidaVila do Abraão, a que se chega de barca saindo de Angra dos Reis ou de Mangaratiba, ou de lancha rápida saindo de Conceição de JacareíNosso guia completo, jul/2026
Desvio opcionalPico do Papagaio: 5,5 km e cerca de 6 hINEA, citado pela imprensa, ago/2020

Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.

A trilha trecho a trecho

A ficha oficial dá o total, os 18 trechos e os dias, e para por aí. A ordem abaixo vem do roteiro de 7 dias de uma operadora de trekking, e quase só os trechos do fim têm medida publicada. A numeração dos dias muda de operadora para operadora, então use a sequência de lugares como mapa e a quilometragem só onde ela aparece.

A lista oficial de atrativos da trilha inclui as praias de Lopes Mendes, Dois Rios, Parnaioca, Praia Preta e Aventureiro, além do Saco do Céu, do Caxadaço, do Aqueduto, do Lazareto, da própria Vila do Abraão e do Pico do Papagaio. Nem todos aparecem no roteiro da operadora que consultamos. Pergunte à sua agência quais entram e em que dia.

Ondas fortes quebrando em pedras e na longa faixa de areia da praia de Lopes Mendes, com morros de mata atlântica ao fundo

Lopes Mendes, a praia de mar aberto da Ilha Grande (RJ)

Foto: Adriane A Medeiros / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Do Abraão ao Aventureiro

  • Dia 1, Vila do Abraão a Bananal: sem distância publicada.
  • Dia 2, Bananal a Araçatiba: uma operadora dá cerca de 15 km para o dia que termina em Araçatiba.
  • Dia 3, Araçatiba ao Aventureiro: passando por Provetá, com parada para almoço. Um relato de 2021 manda fazer as compras em Provetá, mais barata que as outras vilas.

O Aventureiro tem acesso restrito. Segundo guias da ilha, a entrada depende de autorização tirada na Vila do Abraão, ou de passeio de barco, com limite de 560 pessoas por vez. Peça a autorização antes de sair do Abraão, não no caminho.

Do Aventureiro à Parnaioca, de barco

É o dia em que a volta deixa de ser a pé. A Reserva Biológica da Praia do Sul fica entre as duas praias, e as operadoras de 7 dias fazem o trecho de barco porque a reserva não pode ser atravessada a pé. A ficha oficial confirma que a trilha inclui o modal marítimo, mas não detalha o trecho. Pergunte à agência quem leva, de onde o barco sai e qual é o plano se o mar não deixar.

Praia da Parnaioca com blocos de granito na beira da água, mar calmo e morros cobertos de mata atlântica ao fundo, sob céu azul

A praia da Parnaioca, no lado sul da Ilha Grande (RJ)

Foto: TMbux / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Da Parnaioca ao Abraão, por Dois Rios (cerca de 17 km)

Os únicos trechos com distância e tempo publicados estão aqui. A operadora dá cerca de 9 km e 3 h da Parnaioca a Dois Rios, e mais cerca de 8 km e 2h30 de Dois Rios ao Abraão. Um relato de abril de 2021 bate com a soma: 17 km em 5h30. O mesmo relato avisa que a saída da Parnaioca é mal marcada, e que o jeito é seguir as fitas amarradas nas árvores.

Trilha estreita de terra, em túnel de mata atlântica fechada, com uma pessoa bem pequena ao longe e luz entrando no fim do caminho

A trilha da Parnaioca, em meio à mata atlântica da Ilha Grande (RJ)

Foto: Brigiti Bandini / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Dois Rios é a parada do meio. A vila guarda o antigo presídio, desativado em 1994 e hoje museu, segundo a operadora.

Foz de um rio de águas esverdeadas encontrando a faixa de areia clara da praia de Dois Rios, com um morro de mata pontudo ao fundo

A praia de Dois Rios e a foz do rio, na Ilha Grande (RJ)

Foto: Nathan Chor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Esse é o dia que mais cobra atenção. Começa num trecho mal marcado, soma 17 km de mata depois de dias de caminhada e, se você for embarcar para o continente na chegada, termina contra o horário do último barco da tarde. Saia cedo da Parnaioca e trate a chegada ao Abraão como compromisso, não como estimativa.

Pico do Papagaio, o desvio opcional

O roteiro de 7 dias da operadora fecha no Pico do Papagaio, e a ficha oficial lista o pico entre os atrativos da trilha: a pegada do logotipo da Volta foi desenhada a partir do formato dele. Em 2020, o INEA descreveu a subida como a mais desafiadora das trilhas da Ilha Grande, com 5,5 km e cerca de 6 h. O órgão pediu para sair antes do meio-dia, levar água e comida, avisar a rota a alguém e estar com a vacina de febre amarela em dia, e recomendou guia ou condutor "fortemente". Não achamos dado do INEA mais recente, nem altitude oficial; guias de montanha falam em cerca de 980 m.

Sol nascendo sobre um mar de nuvens, com o contorno escuro da serra em primeiro plano e ilhas ao fundo, visto do Pico do Papagaio

Amanhecer sobre o mar de nuvens, no Pico do Papagaio (Ilha Grande, RJ)

Foto: MBelu / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Se as pernas chegarem gastas ao último dia, deixe o pico para outra viagem. É a trilha mais dura da ilha segundo o próprio INEA, e subir com sete dias de mata nas costas não ajuda.

Segurança e quando não ir

Na Ilha Grande não há carro nem estrada. Um acidente grave no meio da volta sai de barco até Angra dos Reis, e por isso uma torção de tornozelo pesa mais aqui do que numa trilha de continente, como alerta nosso guia de trilhas da ilha. O terreno é mata atlântica fechada, com raiz, barro e riacho, e o sinal de celular é fraco.

Antes de cada trecho, avise a pousada da rota e do horário previsto de chegada, e baixe o mapa offline ainda com wi-fi. Confira o horário do último barco da tarde sempre que a volta passar perto de um embarque: quem perde fica na ilha mais uma noite. E leve o cartão de vacina com a febre amarela em dia, a mesma exigência que o INEA fez para o Papagaio.

Riacho de águas rápidas descendo entre pedras cobertas de musgo, com cipós e mata atlântica fechada dos dois lados

Riacho na mata atlântica da trilha de Dois Rios, na Ilha Grande (RJ)

Foto: Guilherme Bonelli / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quando não ir à Volta

De dezembro a março, a chuva enche as cachoeiras e deixa a trilha escorregadia, segundo nosso levantamento. A janela mais firme é de junho a setembro, com junho a agosto como o miolo seco. Julho tem o clima certo e a ilha cheia de férias escolares, então vá em junho ou agosto se puder escolher. O mês a mês está em quando ir à Ilha Grande.

Pule a Volta, também, se você só se sente seguro com etapa medida e sinalização contínua. Não existe etapa oficial publicada, e o trecho mais longo com medida começa justamente num pedaço mal marcado. Nesse caso, as trilhas de um dia que saem do Abraão, como a de Lopes Mendes, estão na nossa página de trilhas da Ilha Grande.

Logística: como chegar, guia, autorização e custos

Como chegar ao Abraão

A ilha não tem ponte nem estrada, então tudo começa no barco. A barca sai de Angra dos Reis ou de Mangaratiba por R$ 20,50 o trecho e leva até 110 minutos. A lancha rápida sai de Conceição de Jacareí, a partir de R$ 45 o trecho, mais R$ 10,30 de taxa de embarque por trecho. Horários e a comparação dos três píeres estão no nosso guia completo da Ilha Grande.

Guia

Não achamos norma do INEA que obrigue guia nas trilhas comuns do Parque Estadual da Ilha Grande. A Resolução INEA nº 61, de 2012, regula o credenciamento de quem presta o serviço de guia nos parques estaduais, o que é diferente de obrigar o visitante a contratar. Para o Pico do Papagaio, o INEA recomendou guia com ênfase em 2020. Confirme a regra com o parque antes de ir.

Para a Volta inteira, recomendamos guia ou agência por causa da logística. O barco entre o Aventureiro e a Parnaioca, a autorização do Aventureiro, as noites nas vilas e a saída mal marcada da Parnaioca ficam resolvidos de uma vez. Pergunte, antes de fechar, se o condutor é credenciado.

Se preferir ir em grupo organizado, fale com a Saia da Zona, agência de expedições criada pelo Franz Kenzo, do TripMundão, que a gente recomenda de olhos fechados. Ela organiza saídas para trilhas como essa. Vale chamar a Saia da Zona no WhatsApp para ver as datas.

Autorização e reservas

Não achamos agendamento oficial para a volta inteira. O que pede papel é o Aventureiro, com autorização tirada no Abraão e, segundo guias, limite de 560 pessoas por vez. O resto é reserva de pousada nas vilas, ou de camping, que nosso guia de trilhas lembra que só é permitido nos locais autorizados. Reserve as noites antes de embarcar, e mais cedo ainda se a viagem cair em julho.

Quanto custa

A referência de pacote que temos é antiga e sem data: um guia de viagem cita média de R$ 1.300 por uma volta guiada de 5 dias, com refeições, hospedagem e barco. Use como ordem de grandeza e peça cotação a mais de uma agência. Nenhuma fonte do INEA que abrimos cita ingresso nas trilhas da volta nem preço de camping, e não conferimos preço de pousada nas vilas: pergunte à pousada ou ao guia o que é cobrado em cada comunidade. A conta completa da viagem está em quanto custa a Ilha Grande.

Dinheiro

As lojas das vilas são caras, e o relato de 2021 manda abastecer em Provetá. Nosso guia de custos avisa que, na ilha, PIX e dinheiro funcionam melhor que cartão, porque a conexão cai. Saque antes de embarcar e leve o bastante para as vilas pequenas do caminho.

Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.

Equipamento para a Volta

Na ilha, tudo vai nas costas: não há carro para levar bagagem de uma vila a outra, e mala de rodinha não roda em trilha. Quem dorme em pousada carrega roupa, água e lanche. Quem acampa soma barraca, saco de dormir e comida, e só arma nos locais autorizados.

  • Calçado de trilha com boa aderência em raiz e barro molhado, e sandália de neoprene para os riachos.
  • Capa de chuva, mesmo no inverno.
  • Repelente e protetor solar.
  • Filtro ou pastilha, porque nosso guia de trilhas não recomenda beber água de riacho sem tratamento.
  • Kit de primeiros socorros e bastão de caminhada.
  • Mapa offline baixado antes de embarcar.
  • Roupa de banho, porque a volta passa pela Parnaioca, por Dois Rios e pelo Aventureiro.
  • Cartão de vacina com a febre amarela em dia.

Onde dormir antes e depois

Na véspera, durma na Vila do Abraão. O barco desembarca ali, é ali que se tira a autorização do Aventureiro, e é dali que a volta sai. Como o roteiro fecha no próprio Abraão, a última noite pode ser na mesma pousada: pergunte se ela guarda a bagagem que não for para a trilha.

Durante a volta, as noites são em pousadas das vilas do caminho ou em camping autorizado. Não conferimos nomes nem preços nas vilas desta vez; se for com agência, pergunte se as noites estão no pacote. Comparamos o Abraão com as praias mais afastadas, com faixa de preço e perfil, no guia de onde ficar na Ilha Grande.

Perguntas frequentes sobre a Volta à Ilha Grande

Valores e regras mudam. Confirme antes de ir.

Outras trilhas do nosso ranking

  • Travessia dos Lençóis Maranhenses: de Atins a Santo Amaro, de 31 a 40 km a pé pelo campo de dunas, dormindo nas comunidades do parque.
  • Monte Roraima: de 90 a 100 km de ida e volta até o platô do tepui, em 7 a 10 dias de trilha.
  • Vale do Pati: de 40 a 68 km em 3 a 5 dias na Chapada Diamantina, dormindo em casas de moradores dentro do vale.
  • Pico dos Marins: bate e volta de 12 a 14 km até os 2.420 m do cume, com um paredão de mãos e pés no caminho.
  • Pico da Bandeira: cume a 2.892 m no Caparaó, em bate e volta ou com pernoite no Terreirão para subir de madrugada.
  • Pico das Agulhas Negras: escalaminhada técnica até 2.791 m no Itatiaia, com trechos que pedem equipamento.
  • Travessia Petrópolis-Teresópolis: cerca de 30 km em 3 dias pela Serra dos Órgãos, passando pela Pedra do Sino.
  • Pedra do Baú: via ferrata até o topo da rocha, em 3 a 4 h de trilha e escalada.
  • Travessia das Sete Quedas: 23,5 km em 1 a 3 dias na Chapada dos Veadeiros, aberta só na seca, com datas definidas a cada ano.

Conheça mais lugares